Estou cansado de esperar por ele

– Estou cansado de esperar coisas e ficar decepcionado, ele disse. – Como o que? Perguntei. – Eu queria que minha vida tivesse saído diferente, – ele respondeu – Eu teria gostado muito se as coisas fossem melhores. Pensando nesta conversa, me lembrei do que descobri nestes anos de minha vida. Me desculpe , por qualquer coisa , sabe talvez você seria incapaz de estar fazendo isso , pois você é orgulhoso muito mais do que eu e eu estou te mostrando que eu deixei o orgulho de lado e estou sendo a mais verdadeira possivel, pois é meu colega o jogo virou e o mundo gira e bota sempre tudo no lugar e eu achei o meu , sossegada livre ... Estou cansado da minha vida e de como sou. Eu anseio por mudança. ... listei tudo que este homem me fez de ruim e enviei a ele, fora o que eu não lembrei na hora e o obriguei a contar pra cada pessoa da família dele pq eu não iria mais ficar com ele no hospital (algumas das coisas são bem pesadas). ... MAS não me importo de esperar( só ... 'Joslyn, estou quase convencido de que Wesley não ama nada. Eu acho que ele está sendo legal comigo, porque de alguma forma ele sente que deveria ser. ' Talvez seja por causa do tio Adalson. Ou o mesmo porque eu não o deixo em paz. Ou porque a família dele gostava de mim ... ''Abençoe, acalme-se. Conte-me tudo desde o começo ', disse Joslyn. Vocês acham que estou fazendo certo de esperar ele tomar atitude por nós? Por não saber se ele realmente quer apenas um amigo ou quer algo mais. Peguei-me tendo ciúmes dele agora, quando estava falando de alguns amigos e alguns passeios. Isso sem a gente ter ficado nenhum dia, nem um beijo, nem nada o máximo um aperto de mão e um abraço! Estou cansado de ser vilipendiado, incompreendido e descartado Quem diz que me entende nunca quis saber Aquele menino foi internado numa clínica Dizem que por falta de atenção dos amigos, das lembranças Dos sonhos que se configuram tristes e inertes Como uma ampulheta imóvel, não se mexe, não se move, não trabalha. Estou cansado de esperar Estou cansado do discurso mudo que me fala Estou cansado da polícia doida que me cala Me amordaça e me tira a vida Estou cansado de correr e não ter saída Estou cansado de morar no país dos deslizes O pobre aqui não vive, ele sobrevive Estou cansado de ver tanta propina Em qualquer buraco ali na esquina Estou ... 5/jun/2016 - Explore a pasta 'Estou. Cansado' de Lucineia Martins, seguida por 690 pessoas no Pinterest. Veja mais ideias sobre Bicho de estimação, Bichinhos fofos, Fotos de animais. Até agora, ele disse, há pouco software de código aberto escrito para uso em setores específicos. 'Estou cansado de esperar', disse Sutor. 'Ou vai acontecer ou não vai acontecer.' Muitas empresas usam aplicativos de uso geral, como o Mozilla Firefox, mas poucas possuem aplicativos Linux específicos do setor, disse Sutor.

Possível suicidio

2020.09.20 04:41 So-mais-um-suicida Possível suicidio

Em decorrer desse ano 2019 vou ver oq faço Termino de namoro já superei Morte do pai está difícil... Em meio a tudo isso parei de me cortar mais sinto q vou voltar ... N sei oq está acontecendo só sei q estas pessoas q estão cmg estão me ajudando Voltando para término de namoro acho q n superei pq chamar alguém de amor pensando na ex e foda... É mais uns dias se passaram e a situação só aperta com meu pai morto parece q vai dar td errado N posso ajudar em nd inútil Realmente n sei oq fazer... Acabei q só fiz mais merda Sinto que n quero mais viver esta uma merda n aguento mais... pensando me matar ninguém vai sentir minha falta talvez minha mãe um motivo n quero dar essa dor para ela Mais será que ela sentirá dor... Se cortar n adianta mais mesmo assim n paro Pra mim e uma forma de estar mais perto da morte Se eu for msm fazer isso qro q todo mundo saiba q gostei msm de vcs MT obrigada além de minha amiga vc era minha mãe... Sonhos q com realidade q talvez nunca chegarei À vontade de desistir só aumenta Nss está cada vez mais difícil estou por um tris Mais sei q tem gente para me ajudar qualquer coisa Msm eu sabendo q preciso de ajuda eu n aceito Oq eu tenho Acho q n vou fazer isso vou esperar Deus levar minha vida Será q eu espero? Pq eu n tenho motivo para viver E viver para nd e a msm coisa q estar morto Pensando bem se eu for me matar msm quero q seja uma coisa q eu n tenho chance de sobreviver Aff essa merda de vida só piora com o tempo n aguento mais essa casa Agr a única coisa q eu qro nessa casa e dormir tomar banho e pronto E no final só provo q sou fraco Credo n consigo fazer nd direito Mais agr estou no sítio quero distrair não quero ficar me preocupando MT Mais está sendo MT difícil Credo assim q eu cheguei aqui eu lembrei do meu pai e eu n sei oq pq Talvez pq o primeiro lugar q eu vi meu pai dar uma convulsão foi né um sítio Uma das piores cenas da minha vida Lembro como se fosse ontem eu correndo até ele e ele na beira da piscina deitado com a boca sangrando Naquele dia eu achei msm q meu pai iria morrer eu era MT novo entrei em desespero mais nunca pude fazer a diferença nunca pude ajudar ele MT até pq n tinha oq fazer Mais me arrependo por n ter ajudado ele aquele dia q eu vi ele espumando pela a boca eu via em seu olhar q precisava de ajuda mais msm assim eu fui fraco eu fui covarde eu fui um merda Eu entrei pro banho e n pode ajudar ele Isso foi a merda q ficou na minha mente E eu n consigo tirar isso da minha cabeça Alguns me perguntam pq vc n consegue dormir às vezes talvez pq eu fique pensando nele e como eu poderia ajudar mais sla Talvez esses pensamentos sejam só um pedra no meu caminho mais tenho medo de ser um muro Aaa n importa quantas pessoas têm ao meu lado eu sempre vou achar q estou sozinho É e mais uma vez no dia fico pensando no meu pai n consigo tirar ele da minha cabeça coisa q são tão poucos mais me lembram em questão de segundos aaa doi isso n consigo tirar da minha cabeça a imagem dele deitado no sofá e eu só olhei a vc pensa o quão egoísta eu pude ser Mds a única vontade q eu tenho agr e de acabar com td 😔 Pra mim por enquanto a única solução é ver o sangue escorrendo pelo meu corpo e acabando com td isso Mas pq eu n consigo será q eu tenho mais alguma coisa para frente Aaaa e cada pensamento q vem sobre suicido vem mts jeitos e n para de vir desde se matar com um gilete até o mais improvável N sai da minha mente q eu fiz uma coisa q eu vou levar para o resto da minha vida Uma culpa q n vai passar Aaa a cada fez fica mais difícil a cada fez eu sinto q quero conversar com a morte quero q acabe tudo de uma vez e peço a Deus para acabar com essa minha vida peço q quando eu for q minha mãe n sinta minha falta só quero q isso acabe Só quero colocar um ponto final Já estou cansado de escrever cartas com sangue n sei o pq eu me arrependo tanto pq eu sou fraco essa é uma resposta q eu queria ter N sei oq está acontecendo parece q tem um monstro me dominando aos pouco Tem momentos q se eu estiver com a pessoa certa os problemas vão embora mais e só eu me afastar q eles voltam para me atingir Caso um dia eu sair e volta Deus está cmg caso eu sair e n voltar quer dizer q eu fui com Deus Puts em meio a tudo isso eu percebi os poucos q estão do meu lado e eu n quero ferir eles obrigado Léo por me mostrar quem realmente está do meu lado E depois de MT tempo volta td de novo nss eu n consigo segurar essa barra dor de mais voltou td Ver uma ft dela e ver q ela está tão bem sem mim e vê q ela n precisa e saber q eu nunca mais vou poder dela de volta A cada fez fica mais difícil Sinceramente eu n aguento isso N falo para ninguém pq n quero incomodar com meus problemas de merda A única vontade é de sumir e pronto Aaaa n sei oq faço estou perdido em meio aos meus sentimentos Está ficando cada vez mais difícil minha mãe parece q n esta nem aí para mim parece q ela está pouco se fodendo Nss família é um bagulho tão escroto o povo só presta pra falar mal de vc Nesses últimos tempos está sendo MT boa parece q a supostas “DEPRESÃO” foi embora ou deu um tempo Faz até bastante tempo que eu não me corta Não sinto a lâmina passando na minha pele E isso tá sendo muito bom espero q não volte Só o vício d cigarro que não para mais tirando isso esta suave Há olha eu aqui de novo depois de um tempo Voltando só para falar q n esta nd fácil Dois primos meus morreram se suicidaram é isso é oque mais acaba comigo Além disso é Foda ver a família fingindo que está se preocupando é uma merda N da para aguentar isso mais E em pleno 2020 eu continuo essa carta E parece q n aconteceu nd de ruim Espero q esse ano seja diferente Só espero msm...
Ass:Suicida anônimo
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2020.09.15 19:04 babyXZ A gatuna com falsa depressão.

Oie lubixsco, editores, pessoas de papelão, gatinhas, possível convidado e turma que está a ver. A história é um pouco grande, mas vale muitooo apena lerrr.... MUITOOOO Vamos chamar a minha amiga (q eu não considero mais amiga) de Charlotte. Vamuxx lá pra historinha tropinhaa. Setembro de 2019 Minha amiga de infância está com depressão. Nossa turminha de amigos foi pra casa dela, passamos noites dormindo lá e ficando ao lado dela. Em umas das noites eu não dormir, pq a mãe e o pai dela estavam muito cansados, dei uma.folga a eles e falei que eu ficaria olhando ela. Eu fiquei a noite em claro vendo se a Charlotte não tentava prender a respiração até desmaiar (pq ela tava fazendo isso, quase todos os dias). Falei que tudo bem perder sono, eu virava a noite no cll, então eu perderia sono por ela. O tempo foi passando e ela foi melhorando com a nossa ajuda. Um dia minha mãe me chamou falando que a Charlotte havia tentado se matar, que eu deveria ir pra casa dela, pois ela precisava de minha ajuda. Nesse dia eu fui e fiquei lá com ela, deu total apoio. Mas então as coisas começaram a ficar meio que "estranhas". Nessa noite dormia eu, a Charlotte e minha outra amiga (vamos chamar ela de Katherine. Nos passamos a noite quase toda em claro vendo série e a Charlotte passou a noite inteira dormindo. No dia seguinte, ela falou q pegou uma faca e que pensou em se matar, mas que tinha pensado melhor. Ela falou q isso foi por volta das 2horas. Depois q ela foi falar com a mãe delab eu e a Katherine falamos que isso era estranho, pq a Katherine estava acorda as 2h e nada tinha acontecido. Ela falou a foi dormir de 3horas e eu acordei as 2 e pouco (olhei a hora no meu cll, oq eu tenho frescura de sempre saber a hora)e ela estava acordada, a Katherine estava falando a vdd e a Charlotte estava mentindo. E foi ai que começamos a perceber q havia algo errado. Os meses foram passando e nós (Katherine e eu) bancamos o FBI e percebermos que tudo começou quando supostamente a casa dela foi assaltada. uns 6 meses antes da depressão dela começar, o estranho foi que não levaram nada, elas estava sozinha em casa e boatos começaram a aparecer depois disso. Falaram q a Charlotte estava tendo um caso com um homem casado e que eles marcaram de se encontrar, porém na hora do rola rola ela desistiu, daí ele surtou e bateu nela e bagunçou a casa. Essa foi a história mais provável (segundos as nossas informações como amigas). Em 2020 ela chamava a gente pra ir ajudar ela, que precisava de companhia, eu e minha amigas sempre iamos, msm sabendo que talvez aquilo fosse atuação. Um dia ela roubou 50 reais da bolsa da mãe dela, a família dela caiu em cima e ela piorou a depressão. Eu e minha amiga fomos ajudar ela msm assim (trouxas). Passou um tempinho Ela ficou na casa de outra amiga nossa (vamos chamar de Daphne) Ela saia com Daphne pros cantos e sumia. Um dia Daphne teve q esperar ela sair da casa de um menino. Isso se reoetiu vários dias. (Segundo oq Daphne contou) Daphne falou que uma vez ela saiu da casa do menino pra ir embora, depois voltou falando q havia esquecido o cll Daphne esperou por uns 15 minutos no lado de fora (SEM INTERNET, Ela deixou isso bem claro.) 15 minutos fazendo nada Quando Charlotte voltou ela disse a seguinte frase: -Aí minhas oernas estão bambas... Daphne nos contou isso, falando que não aguentava mais isso, que ela estava sendo usada de muleta pra transa. Eu e a Katherine ajudamos ela a contar para os pais da Charlotte (eles ja tinham proibido a Charlotte de andar com esse menino (carls) Eles foram corrompidos, pois a Charlotte conseguiu que uma amiga dela falasse q ela estava com ela, que sempre q eka sumia ia pra lá. Como a Daphne falou apenas q ela sempre sumia e deixou o Carls de fora, eles acreditaram. E advinha oq aconteceu. A Charlotte ficou depressiva de novo. Mas dessa vez eu e a Katherine não fomos, inventamos desculpas. Não é que a gente não se importasse com ela, só estamos cansadas de ser usadas. Tempo passou, a cidade inteira (sou do interior é pequena) não acreditava mais em nada da Charlotte. Ela ficava pegando foto do pictres e botando no insta, falava q era ela. Fazia montagem, ficando mexendo no corpo. E outras coisas pra ela aparecer mais bonita. Uns meses atrás a Katherine me manda essa mensagem: (Ta no print)
Não sei botar print aqui kkkkk. Blz Mas era a mensagem da Katherine Falando que a Charlotte tinha roubado um colar de ouro e 500 contos da vó dela. E que já tinha tentado se matar de novo (Se é q ela tentou msm)
estou esperando ela inventar a próxima poha de depressão pra escapar disso, o pior é q a gente sempre ajudava, pq as vezes as pessoas não dão a importância pra isso e acabam vendo tarde d+. Eu realmente acho q ela é doente, mas não seria depressão, acho q seria psicopata msm.
Bjs serezinhos q leram até agora, foi bastante grande, mas num foi nem a metade de coisas escrotas q ela fez. Mas isso é pra próxima história. Talvez eu escreva um livro contando isso e fique rica, mas bem.... É o minino por ser feita de trouxa tantas vezes, neh? Kkk Tchau
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2020.09.09 13:57 enlguy Isto dá azar, ou é Portugal?

Por isso, mudei-me recentemente para Portugal, e depois de ler tantas coisas online sobre ser uma das nações mais pacíficas do mundo e como pode ser bem adaptado para mim, estou aqui há alguns meses para encontrar o oposto. Estas são algumas das pessoas mais barulhentas, mais obcecadas e agressivas que já encontrei. Tive problemas com, literalmente, a noite de uma noite, quando, numa noite de semana, as pessoas no apartamento abaixo de mim decidiram fazer uma festa barulhenta, que foram incrivelmente rudes quando fui bater às 23h para perguntar muito educadamente se podiam tentar baixar o volume (diziam que ouviam sempre o meu barulho, mesmo depois de eu ter explicado que tinha acabado de me mudar e estava extremamente cansado de viajar).
A partir daí comecei a ver as normas aqui. As pessoas gritam regularmente. Já vi os argumentos mais altos e loucos acontecerem na rua ao ponto de me perguntar se devia chamar a polícia, as pessoas nos seus apartamentos a tocar música tão alto que se podia ouvi-la a meio quilómetro de distância (e mesmo ao meu lado, durante o horário de trabalho, quando o vizinho sabia bem que eu trabalhava em casa - a primeira vez que fui bater à porta , ele nem me ouvia batendo à porta e zumbia, tive de esperar que uma música acabasse), gritando a meio da noite, pessoas a tocar instrumentos musicais às 3 da manhã nas varandas e a gritar obscenidades. A vida é normal para as pessoas no Porto, aparentemente.
Então mudei-me para sul para um aluguer de longa duração daquele Airbnb, decidindo que a cidade não ia funcionar. Estou agora numa cidade mais pequena, num prédio com apenas cinco apartamentos onde o dono conhece toda a gente e me disse que são todos pessoas simpáticas. Só que há um tipo do outro lado do corredor que me aterrorizou, nem sequer o conheceu ou teve uma troca com ele, ele tem-se esforçado para fazer a minha vida cagar cigarros à frente da porta dele para que não tenha nada a ver com o meu lugar (é um edifício sem fumo e ele já foi avisado pelo dono) e raspando a cadeira contra o chão, danificando a sua própria casa só para mijar. me fora, vezes sem conta, tornando quase impossível trabalhar ou relaxar na minha própria casa (o proprietário falou com ele várias vezes e até comprou almofadas para os fundos de móveis, e ainda assim faz isso.
Sou olhado para a mercearia por pessoas aleatórias por simplesmente andar pelo corredor. Tenho sido observado de maneiras que me fazem sentir muito desconfortável pelas pessoas da cidade por literalmente não fazerem nada além de andar na rua. Não é uma cidade tão pequena, o inglês é falado aqui, e é basicamente o Porto suburbano, por isso não estamos a falar de território retrógrado, mas as pessoas comportam-se assim, muitas vezes.
Quase fui atropelado por carros muitas vezes, mesmo quando uso o passeio de ped-walk com o direito de passagem. Ontem, sem brincadeiras, um carro a chegar a toda a velocidade dirigiu-se para a calçada e quase me levou para fora só para fazer uma curva à esquerda (isto estava do lado direito da rua para eles, aparentemente pensaram que precisavam de três faixas de espaço para virar à esquerda num carro pequeno).
Isto dá azar, ou é Portugal?
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2020.08.29 20:44 reflekz- estou fazendo um livro

estou fazendo um livro e estou muito empolgado com esse projeto
Como está ficando🔽
O Mundo Fantástico
Numa cidade chata e monótona, existe um garoto chamado de Taki que veio do Japão procurar uma vida melhor, esse garoto tem 16 anos ,cansado da sua rotina, ele sempre acorda cansado e de saco cheio. Não existe nada que pode tirar ele do tédio, até que um dia, na sua casa, um papel aparece de repente escrito : Vá até o metro da cidade de Nova York, lá você encontrará uma caixa, quando você a encontra-lá coloque ela na sua cabeça e isso lhe levará a um lugar mágico.
No começo Taki pensou que estava ficando louco, mas foi porque queria um pouco de agitação na vida dele, ao chegar lá, começou a procurar loucamente alguma caixa, todas as caixas que ele encontrava ele colocava na cabeça. Até que uma caixa em especifico atiçou a curiosidade de Taki, essa caixa estava com uma faísca roxa, mas ninguém estava olhando pra ela, Taki desconfiou que fosse uma pegadinha. E Taki se perguntou: por que ninguém estava olhando para ela? Uma caixa tão chamativa e ninguém olhando?
Taki colocou na cabeça e foi teleportado para um mundo microscópico. Chegando lá, o rei desse mundo disse : - Olá meu convidado, estava esperando você. Se tem alguma duvida, vá até o setor de dúvidas na próxima esquina.
Taki, meio assustado, começou a andar pela rua e percebeu que esse Mundo Microscópico era tão evoluído quanto o nosso, até mesmo parecia o mundo real, só que com seres microscópicos.
Taki ficava olhando para a cidade admirando a evolução desse mundo, a primeira coisa que ele fez na cidade foi buscar comida, porque estava com uma grande fome. Quando chegou em um restaurante, as comidas eram super estranhas, mesmo estranhando a comida, comprou por que ele não sabe como voltar pra casa, então terá de se acostumar, ao comer sentiu uma dor de barriga, após um tempo a dor de barriga passou.
Ele saiu do restaurante e foi procurar abrigo, ele chegou num hotel e se deparou que eles não dormiam numa cama, eles dormiam numa capsula esférica, como já estava de noite tentou dormir, mas o formato esférico fez ele não conseguir dormir, infelizmente teve que virar a noite em claro. Sem esperar o dia amanhecer já saiu do hotel, ao sair
Se gostou fale nos comentarios e se tem ideias fale nos comentario tbm
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2020.08.19 17:00 fabioassuncao Uma tragédia de três cavaleiros

O texto abaixo é uma tradução da teoria bem conhecida, de mesmo nome, elaborada por u/M_J_Crakehall.
………………………………………………...
Os Ventos do Inverno tem muitos fios de enredo soltos, muitos dos quais são difíceis de adivinhar o resultado. Mas um com muito potencial, mas poucas previsões, é o enredo de Coração de Pedra, que está ligado à história de Brienne, Jaime, Irmandade, Freys de Correrrio e das Gêmeas, Terras Ocidentais e Terras Fluviais. Há tanta coisa acontecendo nesta pequena porção de terra que é difícil apontar o que exatamente acontecerá. Muitos personagens afetam uns aos outros de tantas maneiras que é difícil dizer o que poderia acontecer com todos eles. Hoje, vamos nos concentrar apenas em três, no entanto, e um único evento. Vamos conversar com Senhora Brienne, Sor Jaime e Sor Hyle Hunt.
Em primeiro lugar, um lembrete de onde esses personagens estão atualmente na história. Senhora Coração de Pedra capturou Brienne de Tarth, Podrick Payne e Hyle Hunt. Sob a ameaça da morte dos dois últimos, Senhora Coração de Pedra envia Brienne para encontrar Jaime e trazê-lo para ela. No capítulo de Jaime I em A Dana dos Dragões, Brienne encontrou Jaime e disse a ele que o Cão de Caça está com Sansa e eles devem ir procurá-los. Parece bastante óbvio que Brienne está atraindo Jaime para uma armadilha.
– A garota. Você a encontrou?
– Encontrei – disse Brienne, a Donzela de Tarth.
– Onde ela está?
– A um dia daqui. Posso levá-lo até ela, sor... mas você precisa vir sozinho. Caso contrário, o Cão de Caça a matará.
Agora, podemos debater se Brienne contaria a Jaime sobre o que está por vir. Eu consigo ver que ela contaria a ele e eles se preparariam durante a viagem, mas também pude vê-la mentindo para proteger Podrick e Hyle Hunt. No entanto, acredito que Jaime Lannister ficaria desconfiado e cauteloso no caminho. Claro, quando eles enotrarem Coração de Pedra, haverá algumas discussões entre todos os personagens e um grande diálogo, mas isso seria material para outro tópico. Vamos ao Julgamento de Jaime Lannister. O trunfo de Jaime seria colocar tudo em um julgamento por combate, como é normla entre os seguidores dos Sete e os próprios rebentos de Lannister. Eu considero altamente provável que Thoros de Myr concordasse em fazer um julgamento por combate, pois é o tipo de julgamento praticado pela Irmandade, e assim Coração de Pedra pode não ter opção a não ser concordar, talvez esperando que a justiça divina finamente recaia sobre os Lannisters.
Mas Lady Coração de Pedra não vai deixar isso seguir tão facilmente. Ela tem Jaime Lannister em suas mãos. A traição dele está olhando diretamente para ela. Então ela vai querer um campeão que sabidamente ganhará. E ela se lembra de Brienne e de seu juramento. Senhora Coração de Pedra poderia nomear Brienne como sua campeã, tanto para matar Jaime quanto punir Brienne por sua traição a Senhora Catelyn Stark.
– Não compreendo. O que foi que ela disse?
– Perguntou como se chama essa sua lâmina – respondeu o jovem nortenho com o justilho de pele de ovelha.
– Cumpridora de Promessas – Brienne respondeu.
A mulher de cinza silvou por entre os dedos. Seus olhos eram dois poços rubros ardendo nas sombras. Voltou a falar.
– Não, ela disse. Chame-a de Quebradora de Promessas. Foi feita para a traição e o assassínio. Ela a batiza como Falsa Amiga. Como você.
– Para quem fui falsa?
– Para ela – disse o nortenho. – Poderá a senhora ter se esquecido de que um dia jurou se pôr ao seu serviço?
E agora ... podemos finalmente falar sobre a estrela deste show: Sor Hyle Hunt. Sor Hyle está (ou melhor, estava) a serviço de Lorde Randyll Tarly e era o capitão do portão. Ele deixa Lorde Randyll Tarl. Em parte porque está cansado de Tarly, mas provavelmente para ficar com Brienne e tentar cortejá-la. Diga o que quiser de Hyle Hunt, mas há duas coisas verdadeiras sobre ele: ele é um cuzão e se preocupa com Brienne até certo ponto. Ele é bem aberto sobre querer a mão dela em casamento ou mesmo sobre ir para a cama dela à noite para provar seu valor.
– Deixe a porta do seu quarto destrancada esta noite, e eu me esgueirarei para sua cama para lhe demonstrar a verdade do que digo.
– Se o fizer, será um eunuco quando for embora – Brienne levantou-se e se afastou dele.
Um fato interessante é que quando Brienne lhe diz não, ele escuta e respeita que ela não queira que ele faça isso. Então, ele claramente a respeita. Até certo ponto. Já que fica ambíguo se ele apenas a quer por conta de suas terras. Ele até menciona isso, como uma possível forma de se provar digno dela.
– O que quero ganhar é você, a única descendente viva de Lorde Selwyn. Sei de homens que se casaram com desmioladas e bebês de peito por propriedades com um décimo do tamanho de Tarth. Não sou Renly Baratheon, confesso, mas tenho a virtude de ainda estar entre os vivos. Há quem diga que esta é a minha única virtude. O casamento seria útil para ambos. Terras para mim, e um castelo cheio disto para você – indicou as crianças com um movimento de mão. – Eu sou capaz, asseguro-lhe. Gerei pelo menos uma bastarda, que eu saiba. Não tenha medo, não a obrigarei a acolhê-la. Da última vez que fui vê-la, a mãe me deu um banho com uma panela de sopa.
Veja, eu estou dando bastante destaque ao lado mais leve desse personagem, mas isso é ASOIAF, portanto deve haver um equilíbrio. Hyle Hunt não é um exemplo perfeito de consorte. Longe disso. A primeira vez que ouvimos falar dele é quando Brienne nos conta do jogo que ele inventou para que algum cavaleiro a seduzisse.
Tinham feito uma aposta.
Dissera-lhe que tinha nascido entre três dos cavaleiros mais novos: Ambrose, Bushy e Hyle Hunt, de seu próprio pessoal. Mas à medida que a notícia se espalhava pelo acampamento, outros tinham se juntado ao jogo. Cada homem tinha de comprar a entrada na competição com um dragão de ouro, e a soma total iria para aquele que conseguisse desvirginá-la.
Não era o mais legal dos caras, mas parece que está melhorando. Se não completamente, pelo menos um pouco. Mas o jogo teve um grande impacto em Brienne, como era de se esperar. Então é claro que ela proibiu seus avanços, como deveria. Porém, Hyle Hunt é persistente, como mostrado pelas outras citações acima.
Sabendo que Sor Hyle Hunt é um homem persistente e inteligente, acho que seria provável que se Senhora Coração de Pedra nomeasse Brienne de Tarth como sua campeã, ele se ofereceria para lutar pela Donzela de Tarth. Porém, se ele lutasse contra Sor Jaime Lannister, acredito que perderia e morreria dizendo algo sincero para Brienne ou algumas palavras duras para Jaime.
Em primeiro lugar, acredito que existem algumas razões pelas quais acho que Hyle tentaria lutar contra Jaime Lannister e, no fim, perderia. Uma delas é que ele poderia fazer isso para provar a Brienne que ele se importa com ela e mostrar sua perícia. É algo que ela pode ter visto em sua luta com Rorge, mas Brienne estava um pouco ocupada naquele momento. Outra razão é que quando Jaime e Brienne retornam e interagem com Coração de Pedra, Hyle pode ver o relacionamento deles através de como eles falam e agem e presume o pior. A pior parte de Hyle pode aparecer aqui, enquanto ele desafia Jaime para um duelo não pela liberdade, mas pela mão de Brienne e para irritar o regicida.
Hyle parece ser um bom lutador, se mantendo firme na luta contra Rorge e Dentadas, embora não tenhamos detalhes de suas próprias proezas. Ele tem inteligência e muita autoconfiança, como Bronn.
Sabemos que Hyle pode sentir um certo ciúme de Jaime Lannister e ele não é o tipo de pessoa que desiste de pedir a mão de uma certa mulher em casamento. Como afirmado acima, ele pede diversas vezes, de muitas maneiras diferentes. Também sabemos sobre seu estilo de luta e como ele é observador, podendo até a desafiar Jaime Lannister agora que ele perdeu sua mão em espada. Então, como ele perderia para Jaime? Como Sor Hyle Hunt cairia depois de fazer uma reinvidicação tão grande e ter mostrado alguma destreza na luta contra Rorge e Dentadas?
Bem, temos algumas coisas em jogo aqui. A primeira é que ninguém sabe que Jaime tem treinado sua mão esquerda com Sor Ilyn Payne em segredo. É possível que Jaime tenha aprendido um pouco, e poderíamos ver em uma luta como essa alguma recompensa narrativa para este seu treinamento. Mas isso não quer dizer que Jaime esteja de volta ao que era. Longe disso, ele provavelmente está, no máximo, no nível de esgrima de Balon Swann. Mas só isso não o coloca em pé de igualdade contra Hyle Hunt. Não, Hyle Hunt tem complicadores que ele pode subestimar ou superestimar.
Hyle Hunt tinha sido espancado com tanta violência, que seu rosto estava inchado quase até deixar de ser reconhecível. Tropeçou quando o empurraram, e quase caiu. Podrick o agarrou pelo braço.
– Sor – disse o garoto com ar infeliz quando viu Brienne. – Quero dizer, senhora. Lamento.
Como mostrado acima, Hyle foi espancado até ficar quase irreconhecível. No tempo do duelo, ele poderia ter se curado um pouco, mas quem sabe como isso poderia alterar sua visão, audição ou capacidade de pensamento. Ele ainda poderia estar cansado, sem treinar por algum tempo. Coração de Pedra parece tê-lo mantido acorrentado esperando o retorno de Brienne. Ele estaria fora de forma e exausto, e todos nós sabemos como George joga com o realismo de seu mundo. Isso, combinado com a probabilidade de seu desafio ser feito apenas por despeito, poderia diminuir suas chances contra Jaime imensamente. Ficar fisicamente e emocionalmente exausto depois de muitas surras e esperar que Brienne traga de volta o homem que ela realmente ama pode ter um grande impacto sobre ele em tal luta. Então eu acredito que ele perderia e acabaria morto na lama ou morrendo lentamente,
Mas por que Lady Coração de Pedra deixaria Hyle Hunt lutar no lugar de Brienne? Vamos deixar o motivo óbvio fora do caminho e apontar que ninguém sabe que Jaime conseguiu progredir de volta a uma habilidade mediana com a espada, e sua vitória seria um choque para todos. Assim como a vitória de Sandor contra Beric chocou Arya Stark, a vitória de Jaime chocaria Catelyn morta-viva. Mas há mais do que isso. Alguns membros da Irmandade podem ver algo de poético em Hyle lutando em nome de Brienne e apoiar a decisão. Acho que isso é menos provável, mas pode pesar na escolha de Hyle. Lady Coração de Pedra também pode deixar Hyle participar porque ela não se importa necessariamente com quem mata Jaime, só quer que isso seja feito, e pode pensar que Brienne poderia poupar Jaime, já que ela se importa com ele.
Senhora Coração de Pedra podia até vislumbrar a truculência implícita na oferta de Hyle Hunt e presumir que ele venceria. Afinal, ele trabalhava para Randyll Tarly e uma das poucas qualidades de Tarly é que ele é um bom comandante de batalha. Ela pode assumir que Hyle é um lutador talentoso ou ao menos bom o suficiente para vencer Jaime.
Portanto, analisamos Hyle Hunt e suas motivações, o resultado provável e as razões para Senhora Coração de Pedra concordar com isso. Mas há um motivo pelo qual chamo isso de “Uma Tragédia de Três Cavaleiros”. Seria muito temático e adequado para a história como um todo. O título, é claro, está relacionado à Senhora Brienne, Sor Jaime, Sor Hyle e seus respectivos arcos de cavalaria. Acredito que este capítulo seria da perspectiva de Brienne, para torná-lo ambíguo quanto à verdadeira natureza de Hyle e romantizar parcialmente o momento enquanto ainda se aprofunda naquele realismo que George R. R. Martin ama. Afinal, ele não joga apenas com o lado áspero das coisas. Ele tem uma mão em ambos os mundos. E os outros dois personagens se pareceriam com as diferentes da mesma moeda.
Jaime Lannister veria o lado romântico, o lado do homem lutando pela mulher que ama. Ele pode até ser grato a Hyle por se oferecer no lugar de Brienne. Duvido muito que Jaime queira matar Brienne, e é muito provável que a história de Jaime não termine aqui. Não, ele derrotaria Hyle com prazer aqui se isso significar que ele está seguro e Brienne também. Salvar Podrick também é bom, mas não sabemos bem os sentimentos de Jaime por ele.
Hyle Hunt, no entanto, permaneceria rancoroso da mesma forma que Petyr Baelish. Ele se pareceria com aquele realismo áspero de que fazer algo motivado por malevolência e ciúme se voltaria contra ele. Eu diria que vimos Hyle Hunt como suas melhores intenções durante as viagens com Brienne. Idiota como fosse, ele nunca a forçou ou foi longe demais. E sabemos que George R. R. Martin adora nos mostrar os dois lados de cada personagem. E a última vez que Hyle Hunt esteve em sua pior fase foi no passado.
Acredito que neste momento, em uma explosão de peso emocional, ele viraria a pior versão de si mesmo. Tendo esperado por Brienne sabe-se lá por quanto tempo, apenas para perceber que ela nunca ficaria com ele. Em vez disso, seria trocado por este homem que não apenas quebrou seus juramentos, mas não podia nem mesmo lutar ou proteger sua mulher. Parte de Hyle acreditaria que suas virtudes de cavaleiro implorariam a ele para lutar por ela como qualquer cavaleiro faria. E o que seria mais cavalheiresco do que dois homens adultos lutando na lama por sua liberdade e por uma mulher que ambos amam?
TL; DR - Eu acredito que Jaime exigirá um julgamento por combate, e quando o fizer, Senhora Coração de Pedra irá nomear Brienne de Tarth, mas Hyle Hunt toma seu lugar como campeão por sentir rancor pelo afeto entre Jaime e Brienne. Hyle Hunt luta contra Jaime, mas perde devido ao seu estado de exaustão e ao novo treinamento de Jaime, e morre lá na lama. Uma batalha pela liberdade de muitos e pelo amor de uma mulher, embelezando ainda mais os temas da cavalaria que abrange cada um dos três personagens.
………………………………………….
E vocês, acham que acontecerá assim? Acham que quem será o POV do julgamento de Jaime?
Comentem =)
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2020.08.14 03:05 Nonsense_09 A nova Funcionária - Sexo com colega de trabalho (conto)

Obs inciais: é a primeira vez que escrevo um conto aqui, espero que gostem e estou aberto a críticas de como melhorar, eu sou um leitor que gosta de detalhes e coloquei uns bons detalhes na história novamente espero que gostem! A história é baseada em eventos que já passei misturados com um pouco de fantasias minhas
Era manhã e eu estava no trabalho, apenas mais um dia normal para em estagiário solteiro, fazia um certo tempo desde a última vez que havia transado e já sentia os efeitos da abstinência forçada, desde o último mês eu havia percebido que a nova funcionária do meu trabalho me olhava mais que o normal, ela era meu tipo de garota, negra, magra, cabelos cacheados, gostava no nome dela Marcela.. tinha seios pequenos e uma bunda normal mas só em pensar nela nua meu pau ficava duro, tinha vergonha de me aproximar com essas intenções até porquê é meu ambiente de trabalho, não sei se seria coerente fazer isso e...
-- Oi, Bom dia!
disse ela quando passou pela minha mesa com uma pilha de papéis nas mãos.
-- Está quase na hora do intervalo... quer ir comigo lanchar?
nesse momento meu coração deu um leve pulo em meu peito, o sorriso dela era tão doce quanto o seu perfume, não sei exatamente por qual motivo mas senti meu pau ficar duro e me inclinei para frente em uma tentativa de esconder a ereção.
-- É... claro... sim! eu vou! estou com fome também.
-- Que bom bb, em 10 min venho te chamar!
Ela deu uma piscada com seu olho esquerdo, seus olhos eram um verde vivo, davam a ela um ar de mistério e inocência, 10 min mais tarde novamente na minha sala ela apareceu, me olhava fixamente, eu as vezes achava estranho e ficava meio desconfortável mas aquilo tudo me envolvia, e pra ser sincero no fundo eu gostava, pedi permissão ao meu chefe e fui com ela.
Ao sair do prédio onde trabalhamos, o sol estava quente mas não estava desconfortável, ela começou a puxar conversa enquanto nós íamos até a lanchonete do outro lado da rua.
-- então, como tá o trabalho?...
-- bom está a mesma coisa de sempre sabe? as vezes tenho muito o que fazer, outras não tenho nada, as vezes me dar raiva estar lá já outras... bom.. você sabe, aquele tédio de sempre
ela deu um sorriso com o olhar e um leve sorriso com a boca, após um breve silêncio devido estarmos comendo pastel ela me lança um olhar ousado e um pouco atrevido
-- Sei que não faz tanto tempo que nos conhecemos mas quero te perguntar uma coisa, promete que não fica com vergonha?
-- Claro, por que eu ficaria com vergonha?
-- Bom, eu noto como você fica vermelho quando eu falo com você, sua cara branca tá rosada até agora
dizendo isso ela solta uns risinhos e eu fico um pouco sem jeito, e foi aí que reparei na blusa branca com calça jeans e o belo colar fino e dourado que ela usava em volta ao pescoço, ela tinha seios pequenos mas aquela blusa conseguia fazer eles se destacarem, e a calça valorizada a bunda dela.
-- Bom, o que eu quero saber é... você tem namorada?
na mesma hora meu coração deu um novo pulo e bateu muito forte eu mal conseguia esconder que tinha ficado nervoso
-- Bom... Não... é.. por que a pergunta? haha
-- Bom, eu tava pensando... se você quiser claro, que tal dar uma passada lá em casa, eu to morando sozinha, e quero te conhecer mais, o que acha? cê topa?
-- Claro! Sim! eu vou
eu ainda tremia um pouco percebi que minhas suspeitas na verdade não eram paranoias, por que ela me chamaria pra casa dela? a idéia disso me deixava um pouco mais nervoso, mas na minha calça... simplesmente não consegui esconder minha ereção, tomara que ela não perceba
-- Moro descendo a rua na casa de número 36, da uma passada lá hoje a noite, pra gente bater um papo e tals, não gosto de conversar por whats
e era verdade por mais que nos falássemos pelo whats ela não era de puxar muita conserva apesar de me mandar diversos memes
-- Tudo bem, eu vou!
logo após voltarmos ao trabalho e ao passar do dia trocávamos uns flertes, alguns sorrisos, as pessoas do trabalho pareciam perceber apesar de ninguém falar nada (pelo menos na nossa frente não) com o final do expediente ela se despediu de mim com um abraço forte e disse que ia me esperar, combinamos melhor o horário e de 19h estava ótimo, ao final da tarde tomei um bom banho, levei o pênis bem, apesar de eu ser branco meu pau é mais escuro que o resto do corpo, com veias e uma cabeça levemente arosada e de tamanho normal, aproveitei pra me depilar bem, assim que sai do banho me olhei nu no espelho, não se se todos são assim mas ao me ver pelado fiquei excitada, sou magro, apesar de comer muito hahaha, comi um pouco antes de sair de casa e ir para a dela, passei um perfume e fui, no meio do caminho diversos pensamentos me veio a cabeça, assim que cheguei na porta da casa 36 me dei conta que havia me esquecido da camisinha, mas será mesmo que vou precisar, talvez eu esteja me iludindo não sei, antes mesmo que eu batesse na porta e chamasse por seu nome "Marc.." ela abriu a porta, esteva com seus cabelos escuros presos e vestia uma camisa muito muito maior que ela, era como se fosse camisa e saia ao mesmo tempo já que chegava até metade da coxa dela
-- Poxa, chegou bem na hora, gosto de caras pontuais hein rsrs
-- É, eu tava sem fazer nada em casa e pensei que fosse demorar um pouco pra vir pra cá e...
-- Tudo bem bb, entra! eu tenho uns filmes pra gente ver.
entrei pela porta de madeira e dentro da casa era tudo muito comum e normal uma sala grande que dava para um quarto a direita aonde ela dormia e ao final da sala tinha uma espécie de cozinha, ou seja lá o que isso é, me sentei no sofá e foi ai que reparei nas coxas dela, negras como ébano, lisas, até reluzia a luz, não consegui meu pau foi ficando duro, ela sentou do meu lado e ligou a TV, olhou pra mim com aqueles olhos verdes e disse
-- a Tv alta é um bom fundo sonoro não acha?
-- Como assim?
-- Bobinho rsrs, te deixo nervosa não é?
-- Bom... um pouco
-- Eu gosto disso, percebi seus olhares pras minhas coxas, sente isso!
ela pega minha mão e coloca na coxa dela, passei alisando e senti ela arrepiar, meu pau ficou mais duro do que já estava, dava pra sentir a cueca ficando molhada, ela se deita no meu ombro e diz..
-- eu adoro e seu jeito, meio inocente, gosto disso, é virgem?
-- Não! não sou
-- poxa... tenho um fetiche de tirar a virgindade de alguém rsrs
dizendo isso ela passa a mão na minha calça e sente o meu volume..
-- bom a essa altura acho que nem preciso dizer que tenho vontade de te dar né bb?
-- Rsrsrs bom, não vou mentir que tenho vontade de fuder você... em um bom sentido claro
ela rir alto e me beija, que beijo doce, tinha um hálito suave, e seus lábios grandes e cheios sabiam beijar como nenhuma outra, não sei se é minha tara por negras ou se era ela mas meu coração estava a ponto de explodir em meu peito, após um beijo molhado e demorado com alguns intervalos para selinhos e risos, eu decido tomar a iniciativa mais ousada, empurrei ela no outro lado do sofá e tirei o camisão dela, ela estava sem sutiã nem calsinha, tinha os peitos um pouco maiores do que eu pensava, com bicos grandes e pretos, estavam pontudos, ela tinha um piercing no umbigo e entre as coxas uma buceta com pelos pequenos e bem aparados.
-- Nossa bb gostei rsrs espero que goste da minha larrisinha! rsrs
beijei-a mais e fui descendo, primeiro pelo pescoço e logo em seguida para o seios dela, ficaram ainda mais duras com minhas lambidas, não fazia idéia de quanto tempo havia passando só estava ali naquele momento, e que momento! quando desci para a buceta fui beijando-a na barriga, ela se contraia parecia sentir cocegas, gostava daquilo, quando cheguei na buceta estava tão molhada que senti um gosto de gozo, não era comum, me lembrava de relações anteriores que não achei o liquido vaginal com gosto não muito bom mas ela era diferente, era um gosto bom que me instigou a cada vez mais chupar, a cada chupada ela um gemido abafado de tesão e prazer que eu sentia que apenas me motivava cada vez mais 'ai.. ai... ah... isso... mais devagazinho...", introduzir dois dedos e dentro da vagina diz uma forma de gancho pra estimular o ponto G dela, pelo visto consegui fazer direito, não demorou muito ela estava gemendo alto e gozou ali mesmo 'AH,ah... isso... não para pvf.. iss.. a.. ahh..", ela se contorceu e gozou na minha boca, aquilo me deu um prazer imenso pois satisfez dois fetiches meus, um de transar com uma negra outro de uma gostosa gozar na minha boca, fui subindo e beijei ela, com a boca gozada e tudo, ela estava ainda trêmula e com uma cara de prazer imenso enquanto me olhava com seus olhos verdes.
-- Adorei sua oral, nunca pensei que alguém tão tímido fosse me fazer gozar desse jeito
-- obrigado.. bom, gosto de dar prazer e também de receber rsrs
-- prometo que será uma oral que fosse não vai esquecer gatão!
sentei no sofá, nem me lembrava que a televisão estava ligada e sinceramente nem me importei, tirei o tenis, a camisa e quando fui tirar a calça ela me impediu e pediu pra ela tirar, assim que ela mesma terminou de me deixar nu, e olhou meu pau mesmo na frente dela, babando de um jeito que eu mesmo nunca tinha visto, ela olhou pra mim e foi aproximando a boca da cabeça da minha rola, e bem devagarinho foi colocando boca a dentro sempre me olhando com aqueles olhos verdes, aquela pele tom de ébano que me deixava cada vez mais louco de prazer, e foi assim pelos próximos minutos, sempre me olhando com um olhar de prazer enquanto fazia a lingua dançar sobre minha rola, a sensação que senti foi intensa e ela parecia sentir o que eu sentia, toda vez que eu pensava que estava próximo de gozar ela diminiu a intensidade e depois voltava, parecia que queria me torturar mas eu estava amando meu coração mal se continha no peito, a sensação de prazer, uma coceira boa não sei como dizer ela tinha um dom na lingua e nos lábios com a cabeça da minha rola que nenhuma ex teve, alterava entre beijos e gargantas profundas até que eu estava prestes a gozar
-- ah.. ahh... não.. isso.. vai... vou gozar tira a boca
-- Não! quero que você goze na minha boca! vai safado goza!
tentei segurar, mas não consegui, nunca tinha gozado tão intenso senti até o coração parar e depois voltar quando voltei a abrir os olhos ela sorria, com o rosto melado e a boca babada, pulou rápido em mim e nos beijamos prolongadamente, não me importei de ter provado meu prórprio gozo pela boca dela, mas só em ter-la nos meus braços sobre mim, aquilo sim, conseguio me alcamar bem, apos alguns minutos abraçados e nos beijando ela disse bem baixinho ao meu ouvido
-- agora quero que fosse foda minha buceta
aquilo me vez arrepiar e já me sentia pronto pra mais uma rodada, me deitei no sofá e ela montou em mim, passei um bom tempo, gemendo assim como ela, sentindo o quão gostoso é a buceta dela, e pensando no quão sortudo eu sou de tá ali, depois me perdi de mim mesmo, gozei várias vezes e ela também, trocavamos de possição e depois começava tudo denovo, naquela noite me entreguei ao prazer que ela me deu entre as pernas e tudo aquilo que consegui dos seus lábios, não me lembro como mas quando nos demos conta tinhamos perdido a conta de quantas vezes tinhamos transado e já eram 3 da manhã e nós dois ainda tinhamos que trabalhar, dormi com ela, de conchinha, transamos mais algumas vezes até as pernas doerem mais do que já doiam não aguentarmos mais, não sei como consegui me levantar da cama assim que acordei, não sabia se realmente tinha transado tanto com ela ou se alguma parte daquilo foi só um sonho, mas ao vê-la do meu lado com aquele nariz pequeno e fino com um biquinho na boca enquanto dormia cabeos meio bagunçados e nuas com a bunda pra mim... ah aquilo vez meu coração até errar as batidas, era como um anjo no corpo de mulher, eu estava cansado e ela também assim que acordamos nos arrumamos nas pressas e mesmo assim chegamos atrasados ao trabalho mas que importa? a noite foi incrível, naquele mesmo dia assim que acabou nosso horário e fomos nos despedir...
-- gostei muito do que tivemos ontem a noite... minha buceta tá com saudade da sua língua rsrsrs
-- quando quiser uma nova visita é só avisar
-- bom... que tal hoje de noite novamente, no mesmo horário, no mesmo sofá, tudo como um belo replay bb??
-- Já estou lá! rsrsrs
Bom aos que leram até aqui eu agradeço, é um conto inspirados em algumas fantasias minhas misturadas com experiência sexuais que tive! aceito dicas e críticas sobre minha escrita e o que acharam dessa história da Marcela? kkk
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2020.07.12 06:46 Fernando_n Eu sou babaca por ter esquivado fisicamente do meu colega?

Olá Luba, editores e todos que estar a ver! Não é a primeira vez minha aqui, nem sobre a mesma pessoa, então vou recapitular o que eu falei em outro post.
Eu conheci um carinha do trabalho que eu comecei recentemente, e o interesse foi mútuo. Ficamos algumas vezes, e ele dizia que queria um relacionamento, então beleza.
Vamos chamar ele de Carls, para facilitar a história, Carls (M, 30) e eu(M, 21) não estava em um típico relacionamento, mas eu estava relevando, pois ele tinha crises de ciúmes bestas. Queria saber com quem eu estava conversando, e porque. Nesse período eu fiz uma amizade que eu aprecio muito com o Lars (guarde esse nome pois ele é importante na história), quando eu falava para o Carls, que eu passava meu horário de janta conversando com o Lars, por isso eu não tinha mandado mensagem para ele, ele ficava putinho. Um adendo, eu e Carls trabalhamos e horários diferentes, então por isso acontecia, e meu horário de janta é curto, varia de 15min à 30min depende do dia.
Esse negócio do ciúmes foi me desgastando um pouco, ele já deu em cima de um colega meu na minha frente. Por mensagem ele era distante, não respondia direito, eu tentei não julgar pela idade dele.
Eu e Carls nos encontrava no período depois do turno dele acabar e antes do meu começar, mas as duas últimas vezes que eu marquei de esperar ele para a gente ficar, ele deu bolo. Uma ele disse que estava muito cansado e que iria direto para casa, eu entendi porque trabalho em mercado é complicado. Só que se passaram 3 horas, era hora da minha janta, quem é que ainda estava lá? Se você respondeu Carls, acertou. Ele estava conversando com alguns amigos dele, e eles iam sair depois. Na outra vez, eu mandei mensagem para ele perguntando se a gente podia se ver, ele foi embora e nem me respondeu.
Isso me desgastou, e eu acabei me afastando aos poucos, uma das últimas mensagens que eu mandei para ele, era sobre eu e ele se ver no dia seguinte. Não tive resposta, passou uma semana ele não me respondeu. Eu bloqueiei ele no WhatsApp, e apaguei o número.
No trabalho ele pergunta se eu estou chateado com ele, eu falo: "Como não está?".
Fiquei uns longos dias sem ver ele, e estava bom assim, pois eu estava chegando perto do meu horário de entrar para não ter que ver ele.
Vocês perguntam sobre o Lars, meu amigo na história o que ele tem a ver com isso? Ele volta na história, num dos dias que eu fui jantar com esse meu amigo, ele contou que o Carls fica alisando ele, o famoso assédio. E esse meu amigo é hétero, mesmo assim ele faz isso. Para piorar o Carls, pediu para o Lars não contar pra isso. (Não estou justificando o assédio)
Eu já estava bem distante do Carls, mas fiquei bem incomodado com isso. E ontem para a minha infelicidade, eu encontro ele no trabalho. Ele puxou assunto comigo, eu respondi por educação. Não estou mais afim dele.
Ele tentou me abraçar, isso na frente de alguns colegas meus, coisa que ele nunca fez. Eu me esquivei, empurrando ele um pouco, e falei:"Corona Vairus" para não ficar tão pesado. Mas ele insistiu e empurrei de novo e falei que dessa vez eu não queria mesmo. Meus colegas presentes ficaram olhando e me chamaram de grosso. Isso porque eles não sabem da história, e o Carls é muito carismático, todo mundo gosta dele.
Sou babaca por ter feito isso com Carls na frente da outras pessoas? Eu não falei nada para quase ninguém, só dois amigos bem próximos sabem da história toda.
Peço perdão pela saga de HP inteira escrita nesse post.
submitted by Fernando_n to TurmaFeira [link] [comments]


2020.06.14 02:15 FelipeTrindade An interesting title.

Tenho uma amiga que me entende muito, ela me acalma bastante e gosto de conversar com ela, tanto na zoeira quanto no modo sério. Infelizmente (pra mim) ela já tem namorado, que fugindo um pouco da linha, era meu melhor amigo, até que ele disse que não ia levar meu maior problema/dúvida à sério.
Basicamente eu tenho sintomas de depressão e muita ansiedade, ultimamente a depressão não afetou tanto, mas continuei depressivo e estou depressivo exatamente agora, a minha amiga que mencionei tem depressão confirmada, ela usa remédios e hoje de madrugada ela estava mt mal, fiquei acordado com ela um tempo e consegui acalma-la, ela me entende perfeitamente com os mesmos sintomas, oq me leva a crer mais ainda que meu problema é real.
Mas ao mesmo tempo, eu fico muito confuso quanto a isso, me pergunto se eu estou errado, que na verdade isso é tudo frescura e coisas da puberdade, penso se na verdade tudo oq eu penso e falo é exagero, que eu nunca tive depressão, que eu sou o único errado quanto a minha família e amigos, penso que sou só mais um adolescente millenial rebelde, mal-criado e mal-agradecido.
Sobre a minha amiga, na mesma madrugada que mencionei, eu desabafei isso pra ela, que eu estou cansado de procurar quem está certo ou errado, com medo de tudo oq eu pensei era exagero, e oq ela fez? Mudou o assunto bruscamente, me senti profundamente ignorado pela pessoa que eu mais confio, ela fez isso duas vezes nos meus dois desabafos, e no final que eu tentei falar um pouco mais sério e dizer pra ela que eu me senti ignorado, ela simplesmente ficou enchendo o chat de "kkkkkk".
Já contei pra minha mãe que eu tenho sintomas depressivos desde ano passado (nas férias de 2019 fiquei REALMENTE mal, pois só saio com minha família, e nessas férias saímos pouquissimas vezes, ficamos igual a quarentena de agora.) Ela riu de mim junto com minha irmã, isso foi no mesmo dia que tentei me suicidar colocando o fone de ouvido na tomada, mas algo dentro de mim não me permitiu fazer isso.
Ja fiz tbm uma corda de forca, umas semanas dps de eu ter feito ela e tentado usar (não morri pq o gênio aqui usou ela da maneira errada) eu postei uma foto dela no meu grupo de amigos, como um aviso ou um pedido de ajuda, e foi aí que meu melhor amigo disse que não ia me levar a sério pq eu n tinha apoio psicológico (profissional) pra afirmar que tenho depressão, e continuou dizendo mais coisas.
Então basicamente eu vou ter que esperar anos até eu ter meu próprio dinheiro e poder consultar um psicólogo por conta própria, até lá, eu vou ter que viver com a tortura da dúvida se eu to certo e esse desabafo faz sentido, ou se eu to errado e isso é só um texto de mais um adolescente millenial retardado.
Apesar de que talvez eu nem tenha dinheiro no futuro, já que perdi o interesse na escola, tô jogando só The Sims, aonde eu posso fingir que tenho um bom emprego e casa própria. Agora mesmo eu to dó escutando minhas músicas morto no sofá, estou a duas horas assim, e não é a primeira vez que faço isso.
Já pedi ajuda pra um prof, que parece n ter levado muito a sério a gravidade do problema quanto eu realmente queria, e com certeza já esqueceu desse ocorrido.
Também já tentei ligar pro 188, mas o número não funciona aqui na minha região.
É isso, no começo eu realmente n queria e nem estava com vontade de digitar, estou nesse SubReddit a um bom tempinho, mas só lia. Só que conforme fui escrevendo, não consegui parar mais, hehe...
Obrigado por me permitirem fazer isso, desejo a todos uma boa noite.
submitted by FelipeTrindade to desabafos [link] [comments]


2020.06.07 04:22 BOGMANDIAS Só um pouco do que estou sentindo

Eu já fiz vários desabafos aqui em momentos de raiva e tristeza, mas agora eu estou apenas cansado mesmo. Então vamos as lamentações eu sou fruto de uma gravidez indesejada, meu pai simplesmente não quis nem mesmo me registrar, já minha mãe resolveu ficar comigo, mas mesmo assim nunca me amou, quando eu era criança ela me tratava mal e me fazia até ameaças, não eram ameaças do tipo "o homem do saco vai te pegar", mas sim coisas como "vou te mandar para um colégio interno e você nunca vai voltar a me ver" isso enquanto me mostrava um colégio interno real (ou algo do tipo) com muro cercado por cacos de vidro. Contudo a pior coisa que sofri nesse período foi em relação a minha paternidade, na época ela estava se envolvendo com um homem que ela literalmente me obrigou a chamar de pai, eu até tinha me acostumado a ter um pai, mas isso não durou muito porque ela acabou engravidando dele e desde então ele não quis mais saber dela e nem da sua filha, nisso ela começou a fazer o processo inverso do que tinha feito antes, agora querendo que eu esquecesse que ele era meu pai, isso quando eu tinha apenas 5 anos... Conforme fui envelhecendo as coisas foram ficando mais complicadas porque tive que passar a cuidar da minha irmã a noite para minha mãe trabalhar e ela não me obedecia porque era apenas uma criança e eu não era o pai dela e eu também não era um bom cuidador porque era apenas um adolescente, porém isso não era tão ruim, o ruim era ter que dormir em uma garagem e o pior era ter que sair com ela porque as pessoas sempre me olhavam de maneira estranha e até mesmo perguntavam uma segunda vez nosso grau de parentesco quando eu dizia que era seu irmão, isso porque meu pai diferente do dela era negro. Foi então que eu comecei a me dar conta de que era diferente do resto da minha família (já sabia antes porque tudo que minha família falava do meu pai era que ele era negro ou que eu estava bronzeado e ficaria igual meu pai), era horrível me olhar no espelho e sempre me "lembrar" de um pai que não conheci e não adiantava parar de me olhar no espelho porque meus colegas adoravam fazer piadas com meu cabelo, porque minha mãe falava do meu cabelo, porque o namorado da minha mãe falava que minha pele era escura, porque sempre tinha alguém para me chamar de "bronzeado", "moreno" entre outras coisas. Contudo, eu aprendi a lidar melhor com minha aparência, apesar de não gostar de me parecer com meu pai, eu gosto de ser pardo, gosto de ter a pele mais escura, lábios mais grossos e cabelo crespo. No entanto, isso não bastou para suprir os traumas gerados pela ausência de uma figura paterna na minha vida, isso por causa da minha mãe que quer que eu seja o "homem da casa", sempre que há algum problema "masculino" sou eu que tem que resolver mesmo sem ter aprendido a resolver e quando não posso resolver ela fica frustada por ter que contratar alguém, mas mais uma vez o pior não é isso o pior é ela esperar que eu me forme e passe a sustentar a casa. Não é isso que quero, o que eu quero é ir viver minha vida em outro lugar como se nada tivesse acontecido, claro que se eu puder irei ajudá-la e até mesmo sustenta-la, porém não quero continuar vivendo com ela e nem quero ter essa responsabilidade, aliás acho que estou cansado de ter responsabilidades, queria ter uma vida normal como a dos meu amigos e ex-colegas. Queria não ter que correr atrás das minhas coisas sozinho, uma das piores coisas que tive que fazer foi entrar na universidade sozinho, como estudei em escola pública não estava preparado para o vestibular e tive que fazer cursinho, minha mãe disse que me ajudaria enquanto eu não conseguisse um emprego, mas no primeiro mês estava me chamando de vagabundo, ainda bem que o emprego chegou, mas era tão cansativo estudar e trabalhar ao mesmo tempo (mesmo não sendo novidade porque já tinha feito isso antes no ensino médio) e o emprego pagava tão pouco que para pagar o cursinho eu tinha que ir a pé até o trabalho para economizar com passagem, tudo bem que não era muito longe (menos de 5km), mas eu acho muito humilhante ser pobre, achava humilhante não ter grana para bancar um cursinho meia boca e hoje acho humilhante depender de bolsa auxílio para permanecer na universidade pública. Acabo vivendo sonhando com um futuro onde vou ter uma casa que seja minha de fato, não vou depender da minha mãe ou da universidade pública e vou poder ter liberdade, mas é saudável viver em função do futuro? Pior, é saudável viver em função do futuro e do passado? Eu acho que não, mas não consigo me libertar disso, o ideal seria terapia e a universidade oferece isso, mas agora é bem complicado por causa da quarentena. Ultimamente tenho pensado bastante em suicídio, mas não como antes quando eu apenas tinha o impulso de fazer na hora da raiva, mas de forma planejada, já pensei em remédios, veneno e gás de cozinha, talvez fosse bom acabar com tudo, mas ao mesmo tempo não quero magoar minha mãe, apesar de tudo que ela me fez e de ser obsessiva e controladora, eu amo ela e também não quero traumatizar minha irmã que ainda parece ser feliz, também quero ver no que tudo isso vai dar, mas a cada dia que passa eu fico mais próximo disso. Era só tudo isso que eu queria dizer, só queria desabafar mesmo.
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2020.06.04 14:10 TheWhiteHatBr Não demiti os dois

Não demiti os dois caras, simplesmente tive dó.
Prejuízo na certa, mas, modéstia a parte, cheguei onde cheguei porque sempre fui bom para as pessoas sem qualquer tipo de frescura. Bondade falta no mundo. A maioria dos empresários diretores gerentes só entende a linguagem do "puxar o tapete" por isso que no Brasil, a lei não vale BOSTA NENHUMA, as pessoas em geral só se f* porque só querem tirar proveito das outras, querem levar vantagem em tudo, como diria a "lei de Gerson".
Não quero vê-las na m* - sou líder e não chefe. Elas precisam vencer isso!
Porém, tenho meus dias e ontem deixei claro para eles: Estou aqui para ajudar, estou cansado de fazer papel de pai de dois adolescentes! mas se vcs não mudarem, é a última chance. Por favor, não me façam me arrepender dessa escolha que fiz. Pelo amor de Deus não joguem essa chance fora.
Lá fora, existem pessoas passando fome. Vamos ver se vocês tomam jeito. Porque se eu fosse o pai de vcs, teriam tomado uma surra de vara de marmelo já para aprenderem a respeitar todos aqui e SE RESPEITAR PRINCIPALMENTE. Pareciam duas crianças acanhadas prestes a chorar! É incrível como dois machões "alfa" percebem que são dois babacas e precisam ser HOMENS.
É duro pessoal. É duro ser líder, pai dos funcionários, marido, conselheiro, diretor, empreendedor que o governo só fode, concorrer arduamente para manter o emprego dos outros, ter que se virar para arrumar dinheiro quando o caixa está ruim, genro, cunhado, puta que pariu a pressão é forte demais - é FORTE DEMAIS. Dores de cabeça, dores no corpo, estresse, más notícias da atualidade. Sei lá. Talvez eu tenha um infarto um dia desses. O preço a pagar é muito alto.
É muito fácil esperar o "quinto dia útil".
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2020.04.03 18:31 Amster2 [RELATO SINTOMAS COVID-19] - Como me senti durante essa semana com a doença [22M]

Hoje é o nono dia após o começo da febre, e falando com médicos por telefone e videochamada, muito provavelmente ("99%") estou sim com a doença, e até agora com um quadro leve à moderado. Porém como sou jovem, tenho "histórico de atleta", e não desenvolvi uma insuficiência respiratória aguda, não fui/vou para o hospital e não fiz o teste ainda (marcado para dia 7/04).
Não sei vocês, mas eu estava bem tenso com a situação, e senti falta de informação na internet sobre como agir estando sintomático, e o que esperar da doença, então vou continuar com meu relato aqui do que rolou nessa última semana comigo.
Primeiro de tudo, a variação nos sintomas parece mudar muito de pessoa à pessoa (alguém mais aqui no grupo confirmado/sintomático para mais informações?). Tem pessoas que desenvolvem tosse, ou diarreia, ou coriza, febre, ou qualquer outro dos sintomas que vocês devem ter lidos por ai, mas o sintoma MAIS comum é a febre, e mesmo assim não é em todos os casos (metade dos casos de hospitalização chegam sem febre, mas desenvolvem no hospital [fonte?]). Então levem o que vou falar com "um grão de sal", porque muito provavelmente não vai ser exatamente como seu caso.
Estou de quarentena desde o dia 16-18/03, com apenas duas saídas nas quais não tive contato com outras pessoas praticamente, então muito provável que eu tenha contraído antes disso, e estava assintomático, por isso FIQUEM EM CASA E AJAM COMO SE JÁ ESTIVESSEM INFECTADOS. Pois isso pode salvar vidas.
No dia 26/03, de noite, estava fazendo exercícios na sala, e depois de uma série de barras, percebi que demorava pra descansar e estar pronto para a próxima. Mas como estava em quarentena e sem me exercitar faz tempo, assumi que era isso. Porém mais tarde começei a sentir um frio estranho, querendo me cobrir e umas tremedeiras meio bizarras durante uns jogos e Discord com amigos. Nem dei bola, mas depois de um tempo clicou que sepa tava me sentindo meio quente. Peguei um termômetro e estava com 37.8-38.0, uma febre baixa, mas que estava lá, na hora te falar que fiquei meio com ansiedade, não sabia o que pensar. Mas como tava tranquilo a febre, resolvi só prestar atenção em novos sintomas e fui dormir.
Essa primeira noite foi foda, acordei suado na cama, dormi muito mal, mas não sei afirmar se foi por causa dos sintomas em si, ou por causa da ansiedade em relação ao mundo e o sentimento de "vai dar merda" que tava crescendo em mim. Sei que tomei um paracetamol, a febre diminuiu e consegui dormir bem.
Nos próximos 4-5 dias, até terça agora, foi bem tranquilo e cíclico a parada. Sempre acordava bem, sem febre ou apenas com ~37.0, mas que ao decorrer do dia ia piorando, e de tarde já estava com lá meus 37.6-8, me sentindo meio cansado. Mas nada demais, continuei trabalhando em home office, sem tosse, nesse momento até cheguei a conclusão que talvez era coisa da minha cabeça e eu tava com nada.
Mas mesmo assim tomei as precauções possíveis. Ninguém entra no meu quarto, e tenho um banheiro só para mim (felizmente tenho o privilégio de morar num apartamento que permite isso). Bebendo muita água, tentando me alimentar o melhor possível e parei de fumar 100%. Tentando melhorar o sistema imunológico do meu corpo para essa possível batalha contra o vírus.
Na quarta começou a dar uma piorada, acordei normal, febre baixa, trabalhei até a hora de almoçar, porém durante o almoço percebi que não estava conseguindo comer direito, eu tinha que parar de mastigar para respirar. Com certeza estava com uma sensação estranha no pulmão, não era como se ele não enchesse completamente (que era o que eu estava esperando), ele parecia funcionar mecanicamente perfeitamente, mas mesmo respirando, sentia como se meu corpo não estivesse conseguindo todo o oxigênio que precisava no momento. Eu tinha que parar e focar em respirar fundo, e com calma, só para manter uma respiração normal.Na hora vi que deu uma piorada, já falei com meu trabalho que felizmente reagiram muito bem, e resolvi ficar de cama o resto do dia.
Na quinta (meu aniversário por sinal 📷:o), foi parecido com a quarta, mesma febre baixa/média, mas durante boa parte do dia começando após almoço, sentindo meu pulmão pesado, nada muito alarmante a ponto de cogitar ir para o hospital procurar oxigênio, porém CHATO PRA CARALHO. Parecia que havia umas 30 cobertas pesadas em cima do meu corpo, e cada respiração não me "satisfazia" como normalmente faz. Porém, mantendo a calma e respirando com calma, consegui seguir o dia tranquilamente. Fiz videochamadas com família, joguei com amigos, falei com namorada, o tempo todo com a respiração no fundo da mente chamando atenção, mas controlável.
Ai chegamos a hoje. Nono dia pós inicio dos sintomas, e pela primeira vez deu uma flipada no ciclo normal. Acordei praticamente sem febre, porém com o pulmão já pesado desde manhã, mas agora com o tempo está melhorando. Estou tranquilo ainda, e, pelo que li, a média de complicações e hospitalizações é no 7-9 dia, e para os casos leves/moderados, os sintomas começam a sumir lá pro 10-12. Acho/espero que estou passando pelo pior e devo melhorar nos próximos dias.
Alguns pontos então que gostaria de ressaltar:
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2020.03.20 23:33 homendailha Coronavirus Update 20/3/20

I waited to post this daily update because I wanted to see if any of the rumours I have heard would be reported in the press. Take anything reported here without a link with a pinch of salt. I have tried only to include rumours which have come from sources I trust.
Please forgive the shoddiness of today's Portuguese translation. I'm feeling tired so I just ran the whole post through translator and then verified it. There will undoubtedly be horrific errors.
Hopefully you are all well and safe. If you have a dry cough and a fever or are having trouble breathing you should call the Azores Health Line 808 24 60 24 and isolate yourself. How to distinguish symptoms of coronavirus.
The government has declared a state of emergency and introduced a suite of new measures to contain the spread of the virus. You can get comprehensive information about the government's response to the virus and the measures here. Some highlights...
Information for foreigners in Portugal is available here.
News
There are 23 suspected cases of coronavirus in the Azores and 1500 people under active surveillance.
Vasco Cordeiro, President of the Regional Government of the Azores, has appealed to the hope of the Azorean people. He says that "The enemy that we face at this moment and in the next few days is not only the Covid-19 virus, it is also tiredness and exasperation with the tough, but necessary, measures that have already been implemented and with others that can still be put into practice. It is also the doubt and discouragement that can understandably arise as the time that we are subject to them progresses, "he said, adding:" I therefore appeal to the confidence and hope of the Azorean people. levels are being done to face this challenge. To hope for better days, because at that time we will all be called to redo, rebuild and rebuild."
The Portuguese Air Force is monitoring the situation in the Azores and is ready to provide assistance.
Tiago Lopes, Regional Director of Health, admits that in the coming days there may be confirmed cases of COVID-19 on Sao Miguel. He says that "it is important to note the following, so as not to give false expectations in the Region, which is expected, that on the island of São Miguel, there will be, in the next few days, possibly suspicious and even positive cases".
Rumours
I am aware of three further cases of coronavirus that have reportedly tested positive but have not yet been reported by the press. One on Sao Miguel and two more in Terceira. I have also heard that there are 50 people on Ilha das Flores who have been quarantined and are awaiting test results.
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Esperei postar esta atualização diária porque queria ver se algum dos rumores que ouvi seria divulgado nas notícias. Pegue qualquer coisa relatada aqui sem um link com uma pitada de sal. Eu tentei apenas incluir rumores que vieram de fontes em que confio.
Por favor, perdoe a má qualidade da tradução para o português de hoje. Estou me sentindo cansado, então passei o post inteiro pelo tradutor e depois o verifiquei. Sem dúvida, haverá erros terríveis.
Espero que você esteja bem e seguro. Se tiver tosse seca e febre ou tiver dificuldade em respirar, deve ligar para a Linha de Saúde dos Açores 808 24 60 24 e isolar-se. Como distinguir os sintomas do coronavírus.
O governo declarou estado de emergência e introduziu um conjunto de novas medidas para conter a propagação do vírus. Você pode obter informações abrangentes sobre a resposta do governo ao vírus e as medidas aqui. Alguns destaques ...
- O teletrabalho pode ser declarado unilateralmente pelo chefe ou trabalhador, dependendo das funções exigidas.
- Os trabalhadores isolados têm direito a uma compensação de 100% durante os primeiros 14 dias de isolamento. Isso deve ser mandatado pela autoridade de saúde.
- Os trabalhadores têm direito a 65% de compensação no caso de cuidar de um filho ou neto.
- Todas as empresas voltadas ao público, exceto os serviços essenciais, devem fechar. Isso inclui cafés, bares e restaurantes.
Informações para estrangeiros em Portugal estão disponíveis aqui.
Notícias
Existem 23 casos suspeitos de coronavírus nos Açores e 1500 pessoas sob vigilância ativa.
Vasco Cordeiro, Presidente do Governo Regional dos Açores, apelou à esperança do povo açoriano. Ele diz que "o inimigo que enfrentamos neste momento e nos próximos dias não é apenas o vírus Covid-19, mas também o cansaço e a exasperação com as duras, mas necessárias, medidas que já foram implementadas e com outras que ainda pode ser posta em prática. É também a dúvida e o desânimo que podem surgir, compreensivelmente, à medida que o tempo a que estamos sujeitos a eles progride ", afirmou, acrescentando:" Por isso, apelo à confiança e à esperança do povo açoriano. estão sendo feitos para enfrentar esse desafio. Esperar por dias melhores, porque todos nós seremos chamados a refazer, reconstruir e reconstruir ".
A Força Aérea Portuguesa está a acompanhar a situação nos Açores e está pronta para prestar assistência.
Tiago Lopes, Diretor Regional de Saúde, admite que nos próximos dias possam haver casos confirmados de COVID-19 em São Miguel. Ele afirma que "é importante observar o seguinte, para não dar falsas expectativas na Região, que é esperado, de que na ilha de São Miguel haverá, nos próximos dias, possivelmente suspeitos e até positivos. casos ".
Rumores
Estou ciente de três outros casos de coronavírus que foram positivos, mas ainda não foram divulgados pela imprensa. Um em São Miguel e mais dois na Terceira. Também ouvi dizer que há 50 pessoas na Ilha das Flores que estão em quarentena e aguardam os resultados dos testes.
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2020.02.15 17:00 Um-cara-comum Ver minha mãe mal ta acabando comigo

Minha mãe ta lutando pela segunda vez contra o cancer. O primeiro ja foi, ela ja fez a quimio e ja operou, eu me esforcei de mais na primeira vez pra chegar no fim e pensar q eu consegui superar aquilo ate o final, mas alguns meses depois um novo surgiu em outro lugar, e isso ta acabando comigo.
O que e pior nem e o esforço q eu to fazendo, o ruim e q eu estou completamente exausto e ela so piora, e ver ela mau ta acabando comigo. O cabelo dela ta caindo, e isso ta destruindo a auto estima dela, ela sempre foi bagunceira, mas ta de mais, ela n sabe onde tao nem os documentos dela, e pra piorar ela tem problema de vista, so encherga 40%, e quem tem q ficar procurando as coisas dela sou eu.
N so isso, eu tenho mais 2 irmaos que foram morar longe, pq aqui e interior, e eles se mudaram pra arrumar emprego e seguir com a vida deles, eu acabei ficando aqui pois sou o mais novo e ta td caindo nas minhas costas. Meus irmaos estao negligenciando minha mae na cara dura, pois eles sabem q eu to cuidando dela. E isso so piora a situacao psicologica da minha mae, e eu q cuido dela sozinho n consigo seguir minha vida.
Ja estou com 25 anos, sou da area de TI e ate consegui o primeiro emprego trabalhando remoto, foi dificil pra caralho, concorri com mais de 120 pessoas, e consegui a vaga. Mas quando o cancer da minha mae voltou e falei que iria precisar faltar pra leva-la no tratamento, coincidentemente fui despedido pouco tempo depois.
E n para por ai, n e so psicologicamente q minha mae ta mal, esse tratamento ta destruindo ela por dentro, ela se sente enjoada sempre, n consegue comer direito, ela tem pressao alta e diabetes ainda, sente tonteira, em fim, um monte de coisa ao msm tempo, e me doi pra caralho ver q ela ta passando mal e eu n posso ajudar em nada, to fazendo td q eu posso e ela simplesmente n melhora.
Semana passada ela tomou uma dose muito alta de rivotril, pq simplesmente tava dando td errado, e eu nem to falando desses problemas acima, problemas com a agua, problemas com cartao de credito, entre outras coisas. Isso tirou o sono da minha mae, e ela q ja tomava o rivotril, ou seja, ja n fazia mt efeito, tomou mais ainda, e ainda assim n conseguia dormir. Resultado, minha mae ficou completamente fora de si, alem de ficar agoniada e inquieta. Tive q leva-la na emergencia as 3 da manha de sabado.
Esse sabado foi o pior dia da minha vida, nunca senti tanta vontade de desaparecer, queria tanto sumir, fugir, morrer. Quando levei minha mae no hospital, ela ficava tentando se levar a td momento pra ir embora, mas n conseguia, pois n tinha forças. E eu, q tava com ela, tinha q tentar acalma-la, e eu TINHA q manter a calma, mas foi horrivel. Quando os enfermeiros viram o estado dela depois de algumas horas tomando soro, decidiram q iam interna-la.
Quando minha mae viu q ia ser internada ela ficou desperada, deitada na maca ela me olhava, me pedia pra ir embora, eu dizia q ela n podia pq n tava mal, e ela começava a chorar, e dps dormia por alguns minutos, isso partia meu coracao, eu ficava mt triste vendo ela nessa situacao, e eu n podia fazer nada, eu acabava chorando junto com ela. Sendo q ela fez isso varias vezes em sequencia, ela acordava alguns min dps e me pedia pra ir embora de novo, e td se repetia num ciclo. Nunca chorei tanto na minha vida.
Ontem tb aconteceu uma coisa q me deixou bem pra baixo, levei ela na clinica da quimio, a viagem leva entre 1:30-2hr, paramos num estacionamento que e o mais prox possivel, pois ela mal consegue andar, o tratamento acaba com ela. Nesse dia o estacionamento tava bem cheio, Tive que subir 3 andares pra conseguir parar o carro, nunca tive q procurar tanto, e obvio q pra subir tive q ficar dando voltar no estacionamento, o q a deixou mais enjoada. Como eu odeio aquele lugar, parece um labirinto, com paredes e pilastras completamente mal posicionadas, estacionar la e um verdadeiro inferno.
A questao e q, nos fomos a clinica sem problemas, mas quando voltamos pro estacionamento pra ir embora, tivemos q subir de escada, pq o elevador de la n funciona direito, e a escada tb e em circulos, essa subida acabou com ela, quando chegamos no carro, ela parecia q tava morrendo, pra piorar eu parei num lugar pessimo, tinha uma fuckin pilastra bloqueando a minha saida, quando eu entrei n carro do lado, entao consegui manobrar pra entrar. Eu parei na primeira vaga q eu achei pq ela tava se sentindo mal, entao queria ir rapido e nem pensei em como ia manobrar pra sair.
Acabou q tive mt sorte, e quando tava tentando sair, vi q o carro do lado ia sair, a pilastra n bloqueava ele, entao fiquei esperando ele sair pra eu sair tb, no estacionamento faz um calor desgraçado, nesse tempo de esperar minha mae n aguentou, abriu a porta do carro e vomitou no chao do estacionamento, varias pessoas olhando, foi constrangedor, mas isso e o d menos. Quando eu pude sair nem pensei duas vezes, minha mae n tava bem, n ia parar pra chamar alguem da limpeza ou algo do tipo, so sai fora.
Em fim, esse tipo de situacao faz eu odiar minha vida, to quase desistindo da minha carreira, eu sempre tento estudar ou fazer algum projeto pessoal, mas meu animo ta negativo, sinceramente q se foda. Ultimamente td tempo q eu tenho livre fico procrastinando no pc.
Eu sinto bastante inveja dos meus irmaos, eles seguiram a vida deles, e usam o trabalho como desculpa pra negligenciar minha mae, eu queria dizer q me orgulho de ser o filho "bom", mas na moral, to cansado e ela so piora, eu prefiriria mil vezes ver ela melhor do q ser bem sucedido, mas ela n melhora, mt pelo contrario, so fica cada vez pior.
Sorte q eu n posso ver o futuro, se eu soubesse q minha mae iria ficar assim por mais 1 ou 2 anos, ou ate ter um terceiro cancer eu com ctz iria fazer alguma loucura.
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2020.02.02 07:02 Error_Wolf47 Eu me odeio... Fazer o quê?

Bem, eu não faço idéia do porquê que eu estou aqui, criei uma conta só porque eu vi uma postagem... whatever... Ultimamente tenho tido umas crises, eu não sei se é Depressão, ansiedade ou frescura — provavelmente a terceira opção. — mas, eu quase não estou conseguindo fazer nada. Eu sou estudante, e estou de férias porém, como qualquer filho responsável e obediente, faço as tarefas de casa e ajudo minha mãe e meu pai com o que precisam; mas acho melhor começar do começo... Não quero revelar minha idade, sou adolescente e estou cursando o ensino médio, sou levemente introvertido porém, me coloque em um grupo que me identifico e quero toda a atenção do mundo enquanto eu falo. Se eu utilizar o verdadeiro significado da palavra "amigo", companheiro que vai sempre tentar me ajudar nos momentos difíceis, eu não tenho nenhum mas, é claro que tenho vários colegas na qual converso e jogo jogos eletrônicos via internet juntos. Acontece que, como eu falei antes que não tenho muitos amigos, eu não tenho praticamente empatia nenhuma por ninguém, eu não consigo me colocar no lugar da outra pessoa. Pra mim, um conselho amigável e um xingamento forte não são de calibres tão distantes. Okay, acabei me distanciando do assunto... Eu sou muito bipolar, o que torna essa característica um pouco mais relevante, já que não me seguro quando estou bravo e, quando estou calmo ainda pareço grosso. Eu não tenho culpa disso, eu simplesmente penso comigo mesmo: "Como assim? Eu não entendo! Eu não falei nada errado." Coisa que para outra pessoa seria bem pesado, assim como piadas de humor negro que eu faço. Eu me sinto extremamente culpado por isso, eu tento mudar, já fiz várias "experiências" para melhorar — com experiências, quero dizer: conversar com pessoas na internet de diversas maneiras diferentes para ver qual é a menos grosseira. — Motivo número um explicado, agora falta o resto... Eu sou um pouco inteligente, até demais. Em alguns testes de QI, tipo, uns dez, todos deram acima de 140, sendo este o menor valor e 155 o maior. "São testes de internet, não relatam coisas reais." Sim, foi a pior forma de começar o parágrafo. A escola é o ambiente que eu mais gosto e odeio. Porque eu mais gosto? Estudo, as aulas. Porque eu mais odeio? Social, os colegas. Well, eu sou bom em matemática, tanto é que eu tirei, literalmente, doze notas 10 seguidas, sendo três para cada bimestre. Eu também gosto de ciências, agora como física e química, amo do mesmo jeito, e línguas. Eu aprendo extremamente rápido, depois de prestar na explicações dos professores e realizar as atividades eu já tenho decorado para o resto do ano aquele conteúdo específico. Uma prova é que eu estou escrevendo naturalmente esse texto, não estou forçando. Até aí, okay. Família legal, convívio mais ou menos, aluno exemplar. Não. Eu odeio ser inteligente. Eu odeio ser eu mesmo. Eu odeio a mim com todas as minhas forças. Sério, se fosse só isso tudo bem, um psicólogo ou menos já ia resolver — mas o retardado aqui tá escrevendo isso e nem procurou um médico! — mas, tem que ter a cereja do bolo. Como se não bastasse o ambiente que eu mais gosto ser tedioso: esperar a próxima atividade, ajudar o colega, terminar por primeiro a prova; eu não consigo conviver comigo mesmo. Eu tento controlar meus impulsos mas, não consigo, dou um corte seco, ofendo alguém. Porém, deixa eu voltar para o assunto escola. Eu não faço esforço pra nada, fico jogando Battle Royale no meu PS4 em casa o bimestre inteiro, durmo tarde e acordo cedo, fico desenhando nas atividades, e o que? Nota 10, nota 9! "Todo mundo tirou abaixo de 7, menos dois alunos, fulana 7 e Wolf 10. Tô cansado disso, até na prova do instituto federal, você tem noção? Na prova do instituto federal eu não estudei nada, zero horas, fiquei o ano inteiro jogando Video Game e eu faço a prova: dezessete de vinte questões, e todos os meus colegas acertaram dez, oito, três perguntas, e eles acrescentaram: "Estava difícil para um inferno!" E eu nem hesitei em responder nenhuma pergunta. Outra prova difícil, da OBA, fiz de olhos vendados e acertei 17 das 18 e ganhei medalha de ouro, primeira vez na olimpíada. Eu não mereço, não, pelo contrário, eu nem devia ser cogitado para ganhar Altas Habilidades na genética. Eu simplesmente não entendo, não entendo porque eu, que tem os sonhos mais fracos, nenhuma ambição e que desperdiça a vida fazendo nada tem isso e outra pessoa não tem. Porque justo eu? Aprendi a tocar piano sozinho, sou quase fluente em inglês e nunca fiz curso, estou aprendendo japonês e programação, e faço desenhos e umas pinturas de vez em quando. Eu não consigo entender. Até aí, frescura clássica, eu já tô cansado de fazer drama, chega! Bem, como eu fico entediado a única coisa que me deixa entretido ou é conversar com alguém ou irritar alguém, e sabe na desgraça que a segunda opção me fez, não é? Eu me odeio tanto por ter esse pequeno lado sádico, mas eu me odeio mais ainda porque eu sem querer machuco as pessoas e eu faço nada como se eu não me importasse com as outras pessoas mas, não importa, não importa se é um empurrão ou uma discussão, cinco segundos depois eu só queria gritar "desculpe-me" ou "me perdoe" mas eu só seria fraco sendo o cara que pede desculpa a cada cinco minutos. Já teve milhares de vez que qualquer coisa que eu fizesse de errado eu queria pedir desculpa. "Me perdoe por ser ruim; me perdoe por ser falho; me perdoe por existir". Eu início uma discussão e quando eu perco eu continuo para dar um "empate" e eu esperar me sentir satisfeito com o resultado, mas a cada frase que eu recebo eu percebo que tudo isso é em vão e eu tento segurar o argumento apenas para não "perder" e mostrar que sou idiota ou fraco. Eu já perdi a conta de quantas vezes eu repeti as frases na minha cabeça: "Você não vale nada!", "O que você está tentando provar?", "Desista!". Eu não gosto de nada do que eu faço. Eu faço um desenho ruim e uma pessoa fala: nossa, que incrível! Eu faço uma música chata e minha colega fala: que música legal! Eu conto um projeto de Fanfic que eu tinha só que bem ruim e o pessoal comenta: legal, adoraria ver essa história! Eu tenho mil projetos e eu não continuo nenhum, eu dou o meu melhor mas eu não consigo ficar satisfeito com o "meu melhor". Eu dou corpo e alma pra fazer tudo e não chego no resultado que eu quero, e o resultado que eu obtive, foi apenas um fracasso, tempo jogado fora, assim como qualquer coisa que eu faço na minha vida. Visto de fora parece que eu sou bom em muitas coisas mas, não, eu sou ruim em tudo o que eu faço, e isso não vai mudar, não importa o quanto eu tente. Tudo o que eu faço é desperdiçar água chorando de madrugada com o sono desregulado enquanto me encho de comida tentando encher esse falso vazio por afeição que eu nunca obtive, apenas esperando a morte me levar porque eu não tenho coragem de fazer um ato covarde...
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2019.12.26 21:21 Multi-Skin Consegui o endereço, placa do carro e vídeo/foto do fdp da caixa de correios.

Contexto: Todo dia alguém vem e abre minha caixa de correios a força, levando contas e dívidas, semana passada fiz uma armadilha e a pessoa se feriu, sangrou, mas a caixa estava aberta de novo uns dias depois
CONSEGUI, PORRA!

Ontem não aconteceu nada, aproveitei e reinstalei a caixa antiga, só com uns sininhos de gato dentro.
Pego no flagra:
Saí hoje pra ir no mercado bem cedo, fui com o carro da minha irmã já que o meu está quebrado, quando eu volto lá está um cara mexendo na minha caixa de correios.Parei o carro e só deixei o maluco agir, a câmera do celular tava ligada mesmo, então nem esquentei, a resolução ficou horrível (fazer o que, não sou playboy), mas deu pro gasto.

Seguindo as migalhas:
Esperei o cara sair, nem levou nada (sério que ele achou que iria ter correspondência as 8 da manhã no dia depois de natal?) , ele entrou num carro, anotei a placa e segui devagar, e que surpresa meus amigos, que coisa gostosa ver que o que comentei só por cima no post principal
Eles passaram por 7 estados em 10 anos, usaram um monte de documento falso na hora de assinar o contrato com a imobiliária tbm. Só não vazaram da cidade pq um parente tem uma loja. O cara tem ficha limpa, mas chega a dormir dentro da loja pra não ter endereço residencial. Sangue de caloteiros.
iria ser a chave dessa merda toda. O fdp entrou naquela loja.Eu voltei pra casa pra pegar o celular, fui até lá e tirei uma foto pela calçada do cara trabalhando na loja dele.

Mãos lavadas, mente em paz:
Liguei pro meu advogado e fomos até a delegacia principal, passei todas as informações e o número do B.O. online que havia montado uns dias atrás. Preferi levá-lo do que ir sozinho e falar merda ou se esquecer de algum detalhe. Ele passou a lista de processos que a família estava levando pro policial que nos atendeu e tomou a frente nesse processo pois sou muito esquentado nessas horas.
Já mandaram uma viatura pra lá e agora tô bem de boa em casa, só esperando a atualização do status do B.O. pra ver como que vão ficar minhas correspondências que foram levadas por todo esse tempo. O cara já tá ferrado com violação de correspondência e furto com gravação no ato graças ao B.O. de terça feira.
Meu advogado ficou por lá pra ver como vai ser o processo e também se não tinha como ligar o parentesco do cara com todos os processos e mandados relacionados com os outros membros da família.
"Ah mas pq você não falou com ele, esperou e blah blah"
Por que eu sou esquentado pra caramba e ontem fiquei sabendo que meu pai já tomou um processo de difamação após xingá-los quando encontrou a filha dela na rua. Eu realmente não queria dar o gosto de levar um processo desses arrombados, eu sei que iria sentar a porrada nele. Não ganharia absolutamente nada além de ódio e stress extra só de olhar pra cara dele, pessoa que eu nunca tive contato antes.
Se fosse alguém da família principal eu ficaria não para xingar, mas para perguntar como que um ser humano consegue ter sangue tão barato e estragar uma casa de tal forma só para fugir igual barata depois. Quando saíram da casa parecia que eles criavam touros e elefantes cegos, pois tudo estrava destruído, as paredes estavam moídas de arrebentadas, com os tijolos a mostra.

E agora?
Agora a pouco ele mandou mensagem pra falar que é só esperar mesmo que o processo de furto, dano a propriedade particular e violação de correspondências irão se ajeitar por conta dele e que o policial disse que irá levar a investigação da família pra um superior.
Eu reforcei a segurança do portão, amanhã estão instalando um sistema de câmeras aqui, é uma grana que eu precisei gastar, pois não sei até que ponto que esses malucos podem chegar agora que acabei com a "âncora segura" que eles contavam na cidade.
Eu tô feliz de ter achado tanta informação sobre quem mexia na minha caixa, e pego o cara no flagra. Só estou decepcionado de não ser a mulher em si que foi pega. Minha família andou procurando o endereço dela desde quando família dela sumiu da minha casa. Os processos até cobrem um tanto do prejuízo que ela deixou pelas contas negligenciadas, mas os danos materiais a residência e móveis foram terríveis de caros.

Tô quebrado da grana, cansado, mas feliz de ter pego um escroto desses. Vou esperar mais um tempo pra ver se tá ok mesmo postar pelo menos a foto do cara mexendo na caixa.
EDIT pós-post:Vou tentar acompanhar pra ver como vai ser o processo judicial do cara, mas deve ser bem menos interessante do que eu imagino, provavelmente vai acabar com só uma multa.Qualquer novidade sobre a situação da família eu atualizo aqui/em outro post

EDIT tosco: percebi que tenho um vício de escrevefalar "cara", desculpa brasil

EDIT 20:45 :
Meu advogado chegou agora e saca só...
É amigos, outra vitória, o cara se fudeu ainda mais, alegou que só mexeu na caixa de correios pq viu algo estranho nela e então machucou a mão. O delegado não engoliu essa por conta do vídeo e do B.O. que eu abri, perguntou pq ele não tinha ido abrir um B.O. ou falar comigo por ter machucado a mão e o retardado se enrolou todo. Ele tá detido até se desenrolar com a história e nem pode alegar que se machucou na caixa kkkk
Massa que o delegado tava rindo depois contando sobre o "machucado na mão", o arrombado só cortou a ponta do dedo. Eu tava perdendo sono e pensando nos comentários sobre tomar processo enquanto o cara tava com a pontinha do dedinho machucado, que dózinho.
Eu e meu advogado estamos tomando uma cerveja aqui,

UM BRINDE A ESSE GRANDE DIA!

Nada sobre a família ainda, meu advogado falou que não querem mexer muito pra eles não entrarem em alerta.

EDIT Cansado:
Sério gente, meus amorzinhos lindos, eu não posso postar vídeo ou foto, já falei 500 vezes em cada reply e parágrafo que a última coisa que eu quero é chegar e colocar corda no pescoço. Enquanto eu não passar endereço, nome, foto e meu nome eu estou seguro.
Ainda sim é como eu falei no outro post...
Um amigo meu da Rússia é paranóico com segurança pessoal, faz de tudo para não ser rastreado e mora em uma casa muito semelhante a minha e tem o mesmo modelo de caixa de correios, então acho que seria bem bacana se digamos, daqui uma ou duas semanas, ele postar uma dessas fotos de um desses dias não específicos e eu der crosspost aqui com o título "olha só como até na Rússia as ruas e caixas de correios são iguais" ou coisa do tipo. Realmente espero que a foto saia um pouco clara, mas não o suficiente pra mostar o rosto de quem possa eventualmente estar passando na rua e se apoiando na belíssima caixa de correios dele. Seria bem engraçado pra gente poder comparar com as nossas ruas e caixas de correios.
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2019.12.03 12:54 gabpac Um conto sobre um futuro distópico no Brasil, um Gulag num deserto onde era a Amazônia, um homem condenado a passar a vida cavando e tapando buracos -- e muito humor negro.

Eita nóis! Mas que buraco bonito esse, que tive até pena de tapar. Buracão. Tinha o que? cinco? seis palmos de fundura? Esse vai dar quase um dia inteiro para fechar. Porque eu já cavei aqui muito buraco. Vixe, muito buraco… Pra lá de quinhentos. Já sei que demora mais tempo para tapar do que para cavar. Que a gente já está cansado, né? Fez um buracãozão desses aqui, cansa as mãos. E daí sobra pouca energia para tapar, que a gente não tem descanso que ficar parado é ruim para o país.
Daí depois fica essa coisa da gente contar pro pessoal e o pessoal não acreditar. Pois então, tem o Luizinho, o Lulu das Botas, que ele tem bota — nós chegamos aqui de chinelo e de chinelo ficamos — então, o Lulu das Botas abriu um buraco ainda maior que esse que eu cavei hoje, faz uns meses. Ninguém aqui nunca tinha visto nada igual. Demorou um dia inteirinho para fechar. Daí, quando chegou aqui uma turma nova, a gente contava e eles nem acreditavam! Desse tamanho? Quanto? Vixe, menino, se era fundo? de pedir ajuda para sair dali de dentro! Assim de fundo! Até os guardas ficaram impressionados. Botaram uns feijões a mais na cumbuca do Luizinho naquela semana e bateram nele um tiquinho a menos. Mas esse pessoal novo não acreditou e não tinha foto para mostrar. Agora vão ver esse buracão daqui que eu cavei e vão ficar dizendo olha que buracão enorme! e vão contar para as próximas turmas que vão vindo — que não para de chegar gente aqui — e eles não vão acreditar, e eu vou dizer: ó, não disse? Agora vai lá se desculpar com o Lulu! que afinal de contas, o que resta para o Lulu, além da glória de ter feito um buraco assim tão lindo, e de ter botas, que, cá comigo, imagino, ajuda em cavar buraco e vai ver que foi por isso que ele consegue cavar tão fundo.
Eu até tinha pedido para um guarda para ficar com as botas do companheiro Evaristo, quando ele morreu há uns meses. Os guardas nem quiseram saber. Me deram um sopapo e levaram o Evaristo e as botas dele. Melhor assim, né? Que daí eu não fico com calor, que eu acho difícil que iam me deixar ficar de bota e guardar o chinelo comigo também. Tavam dizendo por aí que foram os guardas que mataram o Evaristo. Mas ele morreu mesmo foi de cansado. Já não cavava buraco como em outros tempos. Cavava, assim, dois, três palmos, e já cansava. Mandavam fechar logo. Deve ser para não desmotivar os outros que, se todo mundo começar a cavar buraquinho razo assim, o que vai ser da gente? Que serventia a gente vai ter… buraco sem fundura nenhuma… Mas o Evaristo tinha botas… devia ajudar a cavar, mas eu já nem sei mais. Já estou a tanto tempo aqui cavando e tapando buraco que já nem sei mais é de nada.
O que é bom, porque lá fora eu estava desempregado. Menino! Eu já ia desempregado por mais de quatro anos! Não tinha trabalho em lugar nenhum. Coisa nenhuma. Tentei em fábrica, em construção… Só que fábrica só ia era fechando. Uma depois da outra. Quase já nem tinha mais fábrica de nada. E construção foi minguando também. Tinha aqui, acolá, um palácio, um escritório do governo, mansão para algum bacana do governo, mais uma prisão, que prisão começou a ter bastante, né? Mas não conseguia emprego em lugar nenhum.
Então é bom, né? que eu vim para cá, que aqui eu tenho o que fazer. E mais! Eu ajudo com o futuro do país. Porque alguém aqui tem que vir e cavar buraco, dizem que tenque. Tenque cavar buraco, a gente cava. É o que os guardas mandam, e os diretores mandaram eles mandarem a gente cavar buraco. E quem é que mandou os diretores mandarem a gente cavar buraco? Foi o governo, que é quem manda mesmo. E se o governo mandou, é por que é importante para o país. Então, como eu amo meu país, eu vou lá e cavo. Daí me mandam tapar. O que é muito importante também. Tenque tapar o buraco, que se tudo ficar assim, esburacado, não vai sobrar terreno para gente cavar no dia seguinte, né não? Então eu entendo que tenque tapar. E os guardas mandam. E se os guardas mandam, já expliquei antes, foi ordem que veio do governo. Tenque tapar. E é como eu ia dizendo, alguém tenque fazer esse tipo de trabalho, e nesse caso sou eu, e eu faço bem, sou um dos melhores aqui! Mesmo sem bota. Cavo um corpo inteiro de fundura num dia e cubro tudo em menos de uma noite. Todo dia, que eu não tenho hora para descanso. O que é melhor que fora daqui, né? que eu ia desempregado, e agora eu tenho o que fazer, e ajudo o país que precisa de alguém para cavar e descavar buraco.
Eu reclamava do governo, sim, que eu não tinha trabalho nenhum e a família ia morrendo de fome. Veio um que disse que eu reclamava era demais que eu ia ser levado se seguisse desse jeito. E daí, quando me pegaram e levaram para cá, eu disse: era isso mesmo, né? Reclamei demais. Fora os tapas que eu levei — perdi o ouvido esquerdo — achei até bom, sim, que agora tenho ocupação e não peso mais para minha família, e agora não reclamo mais. Porque reclamar do que? Olha só como tem gente adoidado aqui, sô! E cada semana aparece mais uma turma para cavar buraco, que to achando que buraco anda em falta. Coisa boa poder participar, poder ajudar o país e fazer um negócio assim, tão importante.
Andaram me falando aí que pode acontecer de acabar a pá. E daí a gente já nem sabe mais o que é que vai acontecer com a gente se aqui fica sem pá. E quem disse foi o Treva. Toda semana chega mais gente. Eu vejo o tempo todo chegando caminhão de gente. Mas não tem caminhão de pá. Vai acabar a pá, né não? Que a terra não acaba. A gente cava, mas cobre de novo, daí dá para outro cavar no dia seguinte. Mas e a pá? Eu disse pro Treva não se preocupar, que tem bastante arma. Tinha antes de eu vir para cá. E dá para usar arma para cavar.
Tinha arma para todo mundo. Era bom, sim, que daí vendia na rua, vendia no mercado, a gente comprava, às vezes vendia, tinha bastante arma. Comida, menos, que me diziam que não tinha comida porque vendia tudo para China. Mas tinha, que eu via para vender. Eu é que não tinha como comprar. Nem comida, nem arma. Mas de arma eu não precisava, e a comida me diziam que era cheia de veneno, que matava. Roque, que era lavrador, disse que a irmã dele morreu de soja. Vai que eu entendi errado que, afinal, ninguém morre de soja. Mas dizia que a comida matava. Mais que as armas. Eu nunca dei um pio para reclamar, que eu sei que o governo tá aí para ajudar. E não é que tá mesmo? Que aqui eu como pelo menos duas vezes por semana. Às vezes três. E eu ganhei uma pá, que não é minha, é do governo, que ninguém aqui é soberbo a ponto de ter sua própria pá. Se faltar, já disse pro Treva, tem arma, que arma não falta e a gente podia usar fuzil para cavar.
Tem que deixar de ser abestalhado! me disse o Treva antes de sumir. Que ficar de assunto assim sobre arma, os guardas vão ouvir… que eles não têm pá. Não vão largar arma para gente cavar. Arma é coisa dos guardas. Não é para misturar. Eu ia dando razão pro Treva, que era esperto. Tão esperto que dizia: aqui nessa caatinga eles trazem caminhão de gente e nunca falta pá, nem diminui a comida. Você sabe por que? Eu dizia que não sei. Que o governo ajuda, dá comida e traz mais pás, oras. Mas ele ria de mim e eu achei que ele tava de brincadeira comigo. Disse depois que ia ser um bom cidadão e deixar mais uma pá à disposição do governo. Achei bonito dele, mas não entendi. Dizque saiu correndo pelo sertão. Aqui era floresta, acredita? mas o governo sabe o que faz e transformou isso daqui em sertão. Tá certo o governo! que cavar buraco no meio da floresta ia ser difícil. Treva nunca mais voltou e nunca mais deu notícia. Achei que um cristão esperto feito o Treva não podia ter se largado no meio do deserto assim, à pé, que a farofa com feijão que a gente come aqui é bichado e tem gosto ruim. Mas é garantido. Aqui eu como duas, às vezes três vezes por semana. Quero ver o Treva achar comida que nem essa lá do lado de fora. E trabalho, que trabalho não tem. Nem essa chance bonita de ajudar o país. Tem arma, sim, é, tem arma, mas daí já não precisa, que lá fora dá para achar umas pás para cavar, sem precisar usar fuzil.
Perna Fina falou que o Treva andava enrolado nessa coisa de fazer manifestação. Deus me livre e guarde, que isso é contra a pátria, contra o governo! mas o Perna Fina disse que é isso mesmo, que o Treva até levou tiro, tava lá quando a polícia largou chumbo naquela manifestação grande que teve, que morreu gente de amontoar um em cima do outro… que ele tava lá. Ô, papudo, o Treva nunca contou disso não, eu reclamei com o Perna Fina. Mas tava lá, o Perna Fina repetiu. Tava lá, e levou até tiro. E aí, Treva, como é que tu levou esse tiro aí na perna? eu perguntei para ele um dia, o Perna Fina me disse. Porque o Perna Fina era do crime, e sabia como era cicatriz de tiro. E daí o Treva contou. Eu fiquei chateado, né? Porque eu era amigo do Treva, e ele nunca tinha me contado isso. Nem que esculacharam ele e a família. Que daí eu acho que foi bom do governo, isso. As cidades tão cheias de gente, e tenque mais diminuir isso, né? E melhor que mate a tiro mesmo, que é mais rápido que de fome. E se for gente baderneira, que faz protesto e passeata contra a pátria, melhor ainda, que quem sobra a gente sabe que é gente do bem. Perna Fina contou que levaram a família do Treva pra não sei onde e que lá pegaram as crianças dele e que sei lá mais o que, o que me deixou chateado, que o Treva era meu amigo, e ele nunca tinha me contado essas coisas. E eu nem sabia que ele era dos que saiam para protesto na rua… Deus me livre, que o governo dá comida e pá e serviço e ele sai na rua pra protestar? Fico abalado. Fico mesmo, que os guardas batiam nele mais do que batem em todos nós. Acho bom que batem, que a gente não desacostuma e até ganha têmpera para fazer o serviço melhor. Treva era meu amigo, e eu achava aquilo errado. Mas agora não sei mais não. Governo dá comida, duas, até três vezes por semana! dá serviço para gente não ficar assim, à toa, e dá pá para poder fazer o serviço… Não conformo.
Aqui e ao redor tem nada não. Tinha floresta e tinha rio. Mas o governo sabe o que faz e tirou a floresta daqui porque dizque faltava comida e era para plantar comida e eu acho muito certo, que agora aqui e tudo ao redor tá muito seco e não cresce mais nada, que aí é bom, que não tem mais bicho e nem mais gente para comer comida, e daí tem mais para quem sobrou, que quem sobrou é gente de bem e não sai para protestar e nem reclamar do governo, que nem eu reclamava e não reclamo mais. E daí não tem mais rio, que parou de chover também. O que eu acho bom, que não faz falta de chover no deserto, né? Desperdício de água! Melhor que chova nas cidades, onde essa gente ingrata fica protestando e depois deixa tudo sujo de sangue e corpo de gente ingrata. A chuva ajuda a limpar. E se chovesse aqui, como é que eu ia cavar os buracos que o governo mandou os diretores mandarem os guardas me mandarem a cavar? Ia encher tudo de água e a gente não ia ter como tapar depois, as pás iam enferrujar mais rápido e daí a gente ia ficar sem pá para cavar e descavar os buracos que tenque cavar e descavar. Daí a gente ia ter que cavar com o que? Fuzil? Não, não. Nisso o Treva tinha razão, não é para ficar falando de arma aqui dentro. Lá fora pode. Aliás, lá fora quem não fala de arma, a gente já sabe, não é nem para dar confiança.
E eu nem to aqui há tanto tempo assim que eu nem me lembro direito como é que era lá fora, lá na cidade. Que tinha cidade, essa que eu vivia, antes. Depois deixou de ter, que mandaram fechar. É que tinha uma fábrica só, que fazia pás, mas de resto era só gente com fome, e gente que saía para protestar. Eu acho que o governo tava era muito certo em acabar com a fome, que fome é uma coisa muito ruim. Depois que fechou a cidade acabou a fome, que quem tava lá trabalhava na fábrica e tinha comida. Não era assim bem como aqui, que era também duas ou três vezes por semana, mas era bem ralinho, que eu ouvi dizer. Mas acabou a fome. E acabou o desemprego também, o que eu acho muito bom, porque gente sem trabalho é uma coisa muito ruim. E os guardas da fábrica nem batem tanto quanto os daqui. E agora eles fazem pás. E balas. Que a polícia precisa de balas também, né? Agora que todo mundo pode ter arma fica faltando bala. Quer dizer, bala para atirar, que bala atirada tem bastante, o que eu acho muito bom, que daí fica menos gente. Governo tá é muito certo, viu? Eu lembro quando era só bandido que podia ter arma, que nem faz tanto tempo assim que eu nem lembrava como é que é. Bandido matava mesmo. Qualquer um! Nem via se era cidadão de bem, se era gente boa, se andava nas esquerdas, que nem era meu filho. Que meu filho morreu de bala de bandido e nem fazia protesto, nem era das esquerdas e nem reclamava que estava sem trabalho, como eu. Graças a Deus agora o governo resolveu esse problema, que dava muito medo de andar na rua e levar tiro de bandido. Que antes só bandido podia ter arma. Agora todo mundo pode ter. Eu não tinha, que era muito dinheiro e eu tentava comprar comida, que também era muito dinheiro e eu era desempregado. E o governo resolveu isso também. Hoje não to aí largado, faço um serviço para a pátria e ganho comida. E uma pá. De onde, meu Deus, de onde eu ia ter dinheiro para comprar uma pá? Não dava, né? E antes de eu vir aqui eu não tinha pá. Nem dinheiro para pá, nem arma, nem comida. Me tiraram a casa quando fecharam a cidade. O que eu acho muito bom, que tinha muita droga e muita violência lá onde eu morava. Agora a gente está salvo disso, né? Acho droga uma coisa muito ruim. Saí de lá feliz, que lá nem tinha esgoto, nem água, que a água acabou, que dizque a chuva não chove mais onde tinha que chover, mas não pode falar disso que é coisa de comunista e de gente que faz protesto, perdão meu Pai, eu acho que tá é certo mesmo, que falar só atrapalha o governo e melhor ficar quieto e deixar eles fazerem o que tão fazendo tão bem. Nem água, nem esgoto, melhor que a gente sai dali mesmo, que tinha droga e violência e nem tinha mais água de beber.
Depois, quando fui para o abrigo, também não tinha água, nem esgoto. Mas era porque não tinha chegado, que era para ter paciência, que o governo ia arrumar. Eu achei muito bom, que antes, na cidade, não tinha essa de esperar para chegar, que ninguém falou que ia ter água, que ia ter esgoto. Não tinha e ninguém falava. Agora, pelo menos, tavam dizendo que ia ter, que era para esperar. Também não tinha trabalho, nem comida, que tinha sim, mas era muito cara e a gente se virava como podia, porque também não tinha esgoto, então às vezes se via um ratão, lixo que vinha do governo cheio de coisa boa, que também era ajuda. Só que não tinha trabalho e eu disse pro Zoio, ó Zoio, não tem trabalho. Já estou há mais de quatro anos sem trabalhar e o Zoio, que é cuidadoso disse que era melhor eu não ficar reclamando que, lembra do Cheno? O Cheno levaram, então melhor acalmar. Mas levaram para onde? Para onde tem para levar? Que eu não tinha para onde ser levado depois que me levaram de casa para o abrigo. Vão me levar para onde? E o Zoio ficou brabo comigo e virou as costas. Deu dois dias e uns guardas vieram. Pois finalmente o governo se mexeu! Abença! Me pegaram os guardas e me perguntaram se eu fazia protesto, se eu fazia passeata e eu dizendo que não, que não fazia nada disso, que eu era cidadão de bem. E eles perguntando se eu tinha arma, e eu com medo de dizer que não tinha e eles acharem que eu era comunista e não gostava de arma. Então eu disse que tinha mas vendi para comprar comida e eles me batendo. Diziam que era mentira minha e eu não! Eu gosto de trabalhar, eu não sou vagabundo comunista não. E eles me penduraram de assim, que era para o sangue ir para a cabeça e eu pensar melhor, o que eu achei muito certo e eles gritavam tava fazendo o que, então, perguntando qualé de não ter trabalho? que te pegaram perguntando por que é que não tem trabalho… você é comunista sim, que essa coisa de pedir emprego para todo mundo é coisa de comunista, né não? Nem tem arma e já vai dizendo que é cidadão de bem. Acho que foi aí que eu levei o tabefe que arrebentou meu ouvido, mas eu não lembro direito. Só sei que eu dizia que não, que eu não era comunista, nem vagabundo, que eu não estava pedindo trabalho para todos, que isso não é coisa de cidadão de bem, que tinham ouvido errado, eu tava perguntando sobre trabalho para mim mesmo.
Foi aí que me botaram num caminhão e eu viajei pendurado por uns dois dias porque graças a Deus eles viram que eu não era comunista e nem veado e nem da macumba. E como eu era um cidadão do bem, me deram uma pá e um prato com uns feijões, assim, numa cumbuca com o desenho de uma Estátua da Liberdade, e daí eu fiquei feliz e vi que tava tudo bem. Foi o Treva que veio dizendo ó, come devagar e aproveita, que um pote assim, só daqui a dois dias. Eu achei ótimo, que o pote nem tava cheio, e eu já estava comendo mais do que comia lá fora.
Tiro de bandido eu não arrisco de levar mais. Aqui não tem esgoto correndo pela rua, é tudo dentro da vala. A gente ganha dois copos por dia de água quase limpa e eu nem tenho que pagar por isso! Eu não tenho arma, é verdade, mas tenho uma pá. Não é bem assim minha, mas todo dia o governo tem uma pá para mim. Quase sempre inteira. Aqui ninguém tenta fazer protesto nem fica reclamando. Nem tem comunista. Nem veado, e nem macumbeiro. Durmo quase todas as noites e como duas, às vezes três vezes por dia. De graça! E o governo até me deu trabalho. Já abri e fechei mais de quinhentos buracos, por aí. Eu vou é reclamar de que, né?
https://medium.com/@gabpac/ai-38-e-a-buracoliza%C3%A7%C3%A3o-da-na%C3%A7%C3%A3o-f06a6ec89a39
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2019.11.30 17:11 kaskudinho13 I don't know what to do anymore !! Somebody help me!!

I don't know what to do anymore !! Somebody help me!!
Vamos falar sobre esse jogo então, nunca dei minha opinião sou brasileiro e tava hypado desde o pré lançamento dele juntei dinheiro o ano todo pra comprar ele joguei o beta amei mesmo tendo seus problemas e esperei 1 mês até seu lançamento e tive que esperar umas 2 semanas ate o jogo parar de dar problema no meu computador porque tenho uma placa mais de entrada uma rx570 e n é recomendado mas como n tenho muito dinheiro n posso comprar uma melhor n nesse momento, mas vamos ao que interessa, ontem por volta de 09:00PM eu abri o jogo normal conseguia jogar mas caia no meio do jogo então desisti achando que era mais um erro e fui dormir, então hoje quando acordei abri o jogo e me deparei com essa mensagem e não sei o que fazer. Nunca usei hack e nunca vou usar n preciso disso pra eu jogar um jogo ou me divertir e acho muito errado quem usa, n tenho como provar então fica a critério de vocês me julgar só estou chateado e cansado desse jogo sempre tem um problema e cada dia que passa mais eu me arrependo de der comprado, n sou de uma família rica então tive que trabalhar e ter um computador razoável e poder comprar jogos bons to sem celular a 1 ano quase e invisto todo dinheiro que ganho no meu computador e me acontece isso. Só quero uma explicação e uma ajuda n sei mais o que fazer, não importa de que país você for eu vou dar um jeito de te entender só me ajude pois n quero perder meu dinheiro e meu tempo injustamente por algo que eu nunca fiz ou cometi. (This post is in portuguese Br)
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2019.10.07 14:31 suicideguy888 Cansei de tudo (Seria preguiça? Frescura?)

Bom, estou cansado mentalmente, não quero ir a escola, não quero fazer os milhões de trabalhos que os professores passam, não quero fazer nada. eu quero viver sem me preocupar com nada, mas isso pelo visto não é possível, então pra mim a única solução para o que eu passo agora é a morte, desejo morrer naturalmente por puro medo do que acontece com suicidas no pós-vida (mesmo eu sabendo que talvez isso nem exista), mas eu tenho perdido esse medo dia após dia, esse vazio dentro do meu peito só cresce, eu não sei se vocês estão me entendendo, provavelmente isso tá ficando uma bosta.
As pessoas sempre falam as mesmas coisas quando eu falo sobre meus sentimentos, é sempre o mesma conversa de que isso é uma fase, de que eles também já passaram por isso e que agora eles são muito mais felizes do que eu ou então tem aqueles que falam pra eu ir a igreja, orar ou algo do tipo. eu me cansei de comentários desse tipo, alguém tem alguma solução para o que eu estou passando agora? Não quero esperar 5/10 anos pra mim ser feliz, quero ser feliz e esquecer tudo isso que passa na minha cabeça agora, no presente. Talvez tudo de que eu precise é de um reset, pra esquecer esses malditos pensamentos.
Eu não quero enfrentar meus medos, não quero continuar vivendo, sei que posso perder lindos e felizes momentos caso eu acabe com a minha vida mas que se foda, não quero ir a um psicólogo, não quero demostrar minhas fraquezas, não quero ter que fazer minha mãe gastar dinheiro comigo. A vida é linda, cheia de oportunidades e felicidade, mas eu sou estranho e não quero viver. Meu nascimento foi um grande erro.
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2019.07.25 06:28 stargatewilliam O que fazer quando a pessoa não te procura mais na cama?

Eu namoro um rapaz já vai fazer 1 ano, nossa vida sexual sempre foi bem comum, acho que umas 3 ou 4x na semana sempre rolava algo. Nós moramos juntos, então sempre foi de boa pra isso, acontece que há 1 mês, ele não me procura mais, muito menos demonstra interesse ou dá abertura, ele trabalha muito então sempre chega cansado, janta e dorme, e eu não estou trabalhando, então fico em casa cuidando das coisas por aqui, etc. Mas mesmo assim a gente ficava junto quando ele chegava, depois ia deitar e acabava rolando o sexo. Mas de 1 mês pra cá isso não aconteceu mais, ele não estava mais me procurando e eu não ligava muito, porquê sempre que eu queria ele correspondia. No início eu até acordava ele de madrugada, mexia com ele e etc, aí ele acabava acordando, mas nesse último mês sempre que eu mexia com ele, ele virava pro outro lado e já chegou até a pedir pra eu sair de cima dele. Isso acabou me frustrando um pouco e eu decidi esperar que ele tomasse a atitude, pois então, já faz 1 mês e nada. O incrível é que a nossa relação é super saudável, a gente se elogia fisicamente, se abraça, se beija, conversa, brinca, etc, até em casamento a gente conversa e planeja, eu até noto que ele fica excitado durante esses momentos, mas não passa disso. Eu não sei o que fazer, eu já até joguei indireta pra ele tipo "nossa faz tempo neh, você chega e dorme e no fds fica o dia todo na rua rs", ele entende e ri, mas também não procura criar clima, não me dá abertura, hoje mesmo eu abracei ele e ele reclamou do meu pé gelado 🤣, aí acabei broxando e virei pro outro lado, e é sempre assim, eu não sei se tento acordar ele pq acho que estou incomodando, já que ele acorda mt cedo e foi dormir agora, mas está tenso essa situação, acho que ele espera muito por mim e eu estou esperando por ele, e a gente não sai disso, alguém me helpa
Edit: milagrosamente, rolou algo hoje, se soubesse eu teria postado isso antes rs. Agora já estou assustado com medo de ter que esperar mais um mês 🤣 🤣 🤣 🤣
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2019.07.04 13:24 gabpac A Inescapável Patologia do Homem que via Galinhas

- Deixe-me entender… O senhor diz que está vendo uma galinha? É isso?
- Isso, doutor. Uma galinha.
- Sei… Uma galinha. Uma só. Poderiam ser mais? - O doutor gesticulava usando só os dedos enquanto perguntava. - Talvez duas ou três?
- Não, não é isso, doutor. É que eu vejo uma galinha. Eu só não tenho certeza se é sempre a mesma, ou se cada vez que eu vejo uma galinha, na verdade, trata-se de outra galinha muito parecida. Eu não tenho muita experiência com galináceos, né? Não sei diferenciar uma galinha de outra. O doutor entenda… eu sempre vivi na cidade…
- Sei… O senhor está sendo perseguido por uma ou mais galinhas, uma de cada vez?
- Perseguido? bem, doutor, eu não diria perseguido. Eu vejo a galinha, digo, uma galinha, e ela está ali, cuidando da sua vida, fazendo... Sei lá, fazendo o que galinhas costumam fazer. Mas de forma alguma eu diria que estou sendo perseguido. Ao menos não por galinhas.
- O senhor está vendo uma galinha agora?
- Aqui, no consultório? Não, doutor. Aqui não tem galinha nenhuma. Mas tinha uma lá fora, na entrada do prédio.
- Na entrada do prédio. - O médico repetiu bem devagar, batendo com a caneta na palma da mão. - O senhor compreende que estamos bem no centro da cidade, não?
O rapaz sorriu.
- Doutor, se estivéssemos na zona rural e eu visse uma galinha, não teria procurado um médico, não é?
Doutor Gouveia não pareceu achar muita graça do comentário. Terminou uma anotação, empurrou os óculos mais para cima do nariz, fungou uma ou duas vezes e se aprumou para preencher o prontuário.
- Vamos ver… O senhor se chama Tiago Duarte…
- É Yago, com ipsilone.
- Yago. Yago Duarte, tem trinta e três anos. Profissão?
- Eu sou diretor do departamento de compras.
- Sei… - O doutor ia escrevendo, sem olhar para o paciente. - Casado? Filhos?
- Não. Solteiro. Eh, divorciado. Quer dizer, separado. Sem filhos.
- Ahan… O senhor é saudável de uma maneira geral? Sofre de alguma moléstia crônica?
- Não. Um resfriado, de vez em quando, né? Nada sério.
- Sei… E tem passado por algum estresse? Algum evento traumático?
Yago balançou a cabeça.
- Confusão no trabalho… Mas nada, não.
- Oquei… - o doutor esticou o "O" do oquei enquanto empurrava sua cadeira de rodinhas para trás.
- Então, senhor Yago, me conte porque o senhor me procurou.
- Eu vejo galinhas. - Yago respondeu casualmente. O doutor seguia encarando o paciente. Levantou a sobrancelha e franziu a testa, tentando encorajar o rapaz a continuar falando. - Pois é, doutor. É isso. Eu vejo galinhas.
- Como foi, eh… Como foi que isso começou?
- Foi na terça-feira. Eu acordei cedo para ir ao trabalho. Botei os chinelos no pé e fui até a cozinha para passar um café. Eu ia arrumando a cafeteira, botando água, ajeitando o filtro, quando eu ouvi um ruído vindo da sala. Eu moro sozinho, eu não tenho bicho em casa, virei para olhar e ali estava ela, uma galinha, assim, desse tamanho. Era só a cara dela, olhando pela porta com o pescoço esticado, me espiando. Assim que eu me virei para a porta, ela saiu correndo.
- Sei… O senhor viu e também ouviu a galinha?
- Ouvi. Vi e ouvi, sim. Levei um baita susto, né? Porque uma galinha assim, na minha casa… Eu moro no segundo andar, lá na Aristides da Costa. Rua movimentada. Uma galinha? Não faz sentido, né? Eu fui atrás dela, que ela correu para a sala. Eu juro para o senhor. Fiquei meia hora procurando a bicha. Quase perdi a hora. Saí sem tomar café.
- Sei… E foi só isso?
- Não, claro que não. Se fosse só isso, bem, eu ia achar que foi confusão da minha cabeça. Acontece, né? Mas não. Eu segui para o trabalho no carro e daí eu parei no sinal. Assim que o sinal abriu eu vi, ali na esquina, uma galinha. Tava lá, correndo de um lado para o outro da rua transversal, que nem na piada.
- Que piada?
- Aquela: por que é que a galinha cruzou a rua?
- Ah. Claro, claro. A piada. Sei.
Ficaram os dois em silêncio. Yago, como se pensando na piada, e o doutor Gouveia esperando ele continuar a história.
- E depois? - O doutor incentivou.
- Depois o que?
- Depois da galinha que o senhor viu no sinaleiro...
- Ah! É. A galinha que cruzou a rua. Fiquei olhando, mas a galinha sumiu. Quis perguntar para o carro do lado se ele também tinha visto. Quer dizer, para o motorista do carro ao lado, que eu não converso com carro… Não sou biruta, ainda, eu acho. Mas aí começaram a buzinar e eu tive que seguir adiante. Doutor, o senhor acha que eu estou louco?
- Senhor Yago, é muito cedo para eu te dar algum diagnóstico preciso. Conte mais. Essa galinha na esquina, foi a última?
- Não! Antes fosse, antes fosse. Foram várias. Teve essa, escute, doutor. Eu ia chegando no escritório, descendo a rampa da garagem do prédio quando eu vi, subindo a rampa em sentido contrário, uma galinha! Nem deu tempo de conter o susto. Gritei para o guardinha, Ô, Antônio! Ô, seu Antônio? Você viu essa galinha?, seu Antônio nem me ouviu. Estava abrindo o portão para a Elizete. Eu acho, doutor, que o seu Antônio tem alguma coisa com a Elizete… - Yago coçou vigorosamente a têmpora e fez uma careta. Daí ficou compenetrado, olhando para um ponto fixo na parede. - Seu Antônio e a Elizete… - Yago voltou à vida e olhou de volta para o doutor. - Bem! Eu passei a manhã distraído, de tal jeito que nem me recuperei direito. E logo depois, doutor, imagine, eu tinha uma reunião de almoço com uns fornecedores do Paraná. Adivinha o que fomos comer?
- Galinha?
Yago olhou para o doutor com estranhamento e as suas sobrancelhas se uniram. Em voz baixa e levantando os ombros respondeu:
- Não doutor. Peixe… Por que é que eu iria comer galinha?
- Eu… eu não sei. Não importa. - Doutor Gouveia sacudiu a cabeça. - Continue.
- Enfim, doutor. Foi eu me sentar na cadeira no restaurante e uma galinha saiu correndo para a cozinha. Garçom! Garçom! Uma galinha, ali, acabou de entrar na cozinha! Eu me levantei e apontei. O garçom ficou me olhando, sem entender o que eu queria dele. Senhor, esse é um restaurante de peixes. Não temos frango. O senhor gostaria de uma salada, talvez? Ele não entendeu, né? Achou que eu estava pedindo para comer uma galinha. Eu ia pedir para entrar na cozinha e procurar o bicho, mas eu estava ali com os fornecedores. Ruim isso, né doutor? Que eu tive que me segurar e sentar na minha cadeira, participar da conversa… Mas eu estava distraído, pensando, tentando entender…
- De onde veio a galinha?
- Não, não. - Yago se irritou. - A questão do Antônio e da Elizete! Que a Elizete é secretária do segundo andar, começou faz poucos meses, e o Antônio é funcionário antigo. Será que tinha alguma coisa ali mesmo? Porque, se tinha, o chefe da logística ia ficar cabreiro. O chefe da logística, o Amílcar, o pessoal espalhou que contratou a Elizete por conta do… da… do… enfim, por conta de elementos extra-profissionais, entende?
O doutor deu um suspiro.
- Houve mais casos em que o senhor viu uma galinha?
- Aconteceu sim, naquele dia mesmo, logo em seguida do almoço. Fui para a sala do chefe. Quando eu ia entrando, saiu dali um cara que era assessor de um deputado estadual. Aí tem, eu pensei, que o tal deputado tava enrolado em um monte de coisa que a gente já tinha ouvido dizer, mas que ninguém tinha provas. Doutor sabe do que eu estou falando, né? Bem, entrei ali, conversar com o chefe sobre o almoço com os fornecedores do Paraná. Eu vi, em cima da mesa, uma pasta que ele estava tentando esconder com a mão, fingindo que não era nada… Mas eu li a palavra Licitação. Vixi! Mas, bem, não tenho nada com isso, né? Só que, daí, assim que eu ia saindo da sala, eu olhei para o lado de fora eu vi!
- A Elizete?
- Não, doutor, a Elizete trabalha em outro andar. Uma galinha! cruzando o corredor na frente da sala do chefe! Eu ainda perguntei pro meu chefe, o senhor viu isso, seu Cláudio?, Isso o que?, A, o, a… deixa para lá. Não é nada não. Tenha um bom dia! Me levantei e saí correndo pegar a bicha! Ô, Siomara, você viu? Passou aqui mesmo!, Do que é que você está falando, Yago? Não vi nada passando aqui, Bem, nada não, Siomara. Desculpa! Desisti e voltei para minha sala.
- Isso que você conta foi… na terça feira, certo? - O médico perguntou enquanto consultava o prontuário.
- Terça-feira. Mas quarta feira foi bem pior.
- Conte, por favor.
Yago esfregou os olhos com as mãos, olhou para um canto do teto por uns segundos enquanto sacudia os dedos como se fosse um pianista pronto para dar o primeiro acorde. Juntou as mãos e voltou a olhar para o médico.
- Ah! Quarta-feira… Eu dormi bem. Nem sonhei, ou não me lembro de ter sonhado. Eu acordei cedo para ir ao trabalho. Botei os chinelos no pé e fui até a cozinha para passar um café. Eu ia arrumando a cafeteira, botando água, ajeitando o filtro, quando eu ouvi, de novo, um ruído vindo da sala.
O médico interrompeu:
- Senhor Yago, me diga, o senhor tem a sua rotina bem estabelecida? Costuma fazer as coisas exatamente da mesma maneira, todos os dias?
- Não sei, doutor… Eu tenho lá minhas coisinhas, né? Todo mundo tem. Eu gosto de tomar café de manhã, todas as manhãs. O senhor não?
O doutor Gouveia ignorou a pergunta, anotou alguma coisa no prontuário e pediu para o paciente continuar:
- Então, o senhor dizia que tinha ouvido um barulho vindo da sala. O que aconteceu depois?
- Isso. Um barulho na sala! Já fui pensando se era, ou se não era uma galinha. Eu já tinha me esquecido dessa história... Uma galinha na minha sala… Isso não faz nenhum sentido, né? Mas não. Não ouvi mais nada. Dessa vez eu não parei para procurar por galinha nenhuma. Tomei o meu café e fui para o escritório. Eu juro, doutor, que eu fiquei atento se me aparecia uma galinha no caminho… Mas não apareceu. Estacionei o carro e, lá da garagem eu chamei, o elevador. Estava ali, esperando, me distraí, lembrei de uns papéis que tinha que ter trazido comigo e não tinha certeza se estavam na minha pasta. Abri a pasta, conferi que estavam ali e fechei de novo. Eu não tinha reparado, mas o elevador já tinha chegado e, quando me dei conta, só deu tempo de ver as portas se fechando. E ali dentro, doutor, uma galinha! Eu tentei segurar a porta, enfiar o pé no vão, apertar o botão… Mas lá se foram, a galinha e o elevador.
Yago deu um suspiro, como se tivesse perdido o elevador naquele momento.
- Subi de escada, correndo. No caminho apareceu um colega, o Oviedo. Ele tava com uma cara assustada, ansiosa, eu já ia perguntar se ele por acaso tinha visto uma galinha. Mas ele foi mais rápido e disse: Yago… Você tá subindo para o teu escritório? Eu tava, né? Para onde mais era para eu estar indo àquela hora da manhã? Eu respondi que sim. O Oviedo pensou, pensou e daí resolveu dizer, cochichando: Ó, melhor dar um tempo, Yago. Tá tudo meio complicado lá em cima. Sai, vai até a padaria, faz uma hora por lá… depois volta. Eu até que ia seguir o conselho dele, mas quando eu ia me virar para seguir o Oviedo, eu escuto: cocó! Cocó-có! Meu senhor Jesus Cristo! Eu agora pego a penosa! Subi correndo escada acima seguindo o barulho, fui até o alto do prédio… Mas não vi a galinha, se é que tinha alguma galinha. Eu estava esbaforido, o doutor pode imaginar, né? Eu, assim, meio gordinho, subindo oito andares de escada vestindo camisa, carregando minha maletinha… Quando então, ali na escadaria mesmo, logo ali no andar debaixo, o que eu vejo?
O médico fez uma cara um pouco aparvalhada, levantou as palmas das mãos e tentou:
- A Elizete?
- Não! O auditor da receita federal conversando com o meu chefe! Doutor! Que susto! O Oviedo deve ter visto alguma fuzarca no escritório do chefe, mas quem viu o Cláudio conversando com o auditor fui eu. Aperto de mão, tapinha no ombro, cochicho…
- Senhor Yago, isso tem alguma coisa à ver com o seu problema?
- Tem, tem sim! - E aí Yago soltou tudo, num sopro só, ofegando, como se tivesse acabado de subir os oito andares de escada. - Porque eu ia vendo isso ali no meio lance de escadas abaixo do meu, quando eu vi, logo ali, uma galinha! Doutor, ali, meio lance de escada abaixo de mim! Tava ali a penosa, popó, popopó, ciscando o chão de pedra. Só que eu não podia me mexer. Aliás, se a galinha fizesse muito barulho ia chamar a atenção dos dois ali embaixo, e podia ser que me vissem. Doutor! eu fiquei paralisado, suando bicas, olhando para a galinha a menos de dez degraus de onde eu estava. Popo popo popó. Ela não descia nem subia. Eu olhava para ela e ao mesmo tempo tentava escutar o que os dois conversavam ali em baixo. Nem consegui ouvir tudo direito, mas era maracutaia. Das brabas.
O doutor se levantou, atravessou a sala, encheu um copo d'água do filtro que estava sobre um móvel.
- Tome, Yago. Tente se acalmar.
Bebeu toda água em um gole só. Devolveu o copo para o médico, gesticulando que precisava de outro copo.
- Já trago mais.
O médico trouxe mais dois copos cheios. Yago tomou o primeiro de uma vez só e, mais calmo, tomou o outro aos goles. Secou a testa suada com a manga da camisa e prosseguiu.
- Assim que os dois terminaram de conversar, entraram e bateram a porta atrás deles. A galinha se assustou e saiu meio voando, meio correndo, escadaria abaixo. Eu fui atrás. Doutor, já perseguiu uma galinha escada abaixo? O Senhor tenha misericórdia, doutor, que eu quase caí um par de vezes. E não alcancei o bicho. Cheguei lá em baixo. Nada de galinha. Sumiu de novo.
Com os cotovelos sobre a mesa, Yago apoiou sua testa nas mãos e suspirou com um ar cansado.
- Sumiu de novo a diaba da galinha. E eu fiquei ali no fim da escadaria, lá no estacionamento, parecendo um palerma, suado e bufando. Posso pegar mais um copo d'água?
Se levantou sem esperar resposta. Encheu o copo que tinha na mão, bebeu e repetiu. Antes de sentar-se, disse:
- Enquanto eu tomava fôlego, ainda ali na escadaria, me aparece o Oviedo com uma coxinha e um guardanapo todo engordurado. Você ainda está aqui?! Cara tá uma confusão no segundo andar! Pegaram a Elizete com o Aguinaldo das Finanças. Parece que vão demitir ele. Imagine, doutor… - Yago riu. - Demitir o Aguinaldo das Finanças. O cara é sobrinho do dono da empresa! Iam demitir nada.
Com gestos impacientes o doutor Gouveia parecia tentar puxar a história contada com as mãos:
- Tá… Mais alguma galinha na quarta-feira?
- Não ao longo do dia. E que dia, doutor! Aguinaldo das Finanças pelo jeito ia ser afastado. Ninguém tinha visto o rapaz pelo escritório e o falatório era geral. A Elizete era outra que tinha sumido. Meu chefe ficou o dia fechado na salinha dele e eu almocei um sanduíche com o Oviedo, ver se eu me botava a par das fofocas do escritório. Oviedo é um baita fofoqueiro… Mas galinha, só uma no caminho de volta para casa e outra pulando de uma varanda até a outra no prédio da frente.
- O senhor não achou que já era hora de procurar um médico?
- Não. Eu estava bem. Estava tudo bem. Eu via umas galinhas… E daí?
- Então por que o senhor me procurou hoje?
- Por causa do que aconteceu na quinta.
- Quinta… Ontem, o senhor quer dizer?
- Isso. Ontem.
O médico fechou os olhos, espalmou as mãos sobre a mesa, respirou fundo e perguntou, bem pausadamente, mal contendo sua irritação:
- Então... o que aconteceu ontem?
- Bem, eu acordei cedo para ir ao trabalho. Botei os chinelos no pé e fui até a cozinha para passar um café. Eu ia arrumando a cafeteira, botando água, ajeitando o filtro, quando eu ouvi, de novo, um ruído vindo da sala.
O médico não perguntou nada. Pegou o queixo com a mão, olhando para o paciente por detrás dos óculos. Nem um gesto, nem uma menção para Yago continuar falando.
- Não era nada. - Yago finalmente disse, olhando para o chão. - Quer dizer, eu não vi nada. Não encontrei a galinha. Já estava me acostumando com as galinhas na minha vida. Estivesse ela ali no meu apartamento, ou não, eu já nem ligava, né? Desde que não fizesse cocô no meu tapete, ou no sofá… Bem, então, fui para o escritório. Cheguei no escritório e vi o seu Antônio com uma cara sombria, sério, agitado. Ele que era tão alegre, tão calmo. Aí tem, que eu lembrei da fofoca do dia anterior. Estacionei, subi para o meu andar. Na minha sala não tinha ninguém. Estava tudo vazio. Tinha era uma galinha sentada na minha cadeira. Doutor! Me enfezei. Aí já era demais, né? Aí já era abuso! Na minha cadeira! Me posicionei para emboscar a galinha. Me aproximei dela devagar, com as mãos prontas para agarrar a bicha, quando alguém na porta passa correndo, sem olhar, e avisa: Ó, Yago, Tá um fuzuê lá na recepção! Melhor vir ver! Acho que era o Dogoberto. Quando eu me virei de volta, a galinha já tinha sumido. Deixei minha maletinha em cima da mesa e fui ver o que o Dogoberto queria de mim.
Yago se ajeitou na cadeira e seguiu contando:
- Tava uma galera lá na recepção. Todo mundo ao redor de uma televisão que normalmente fica passando uma apresentação de Power-Point horrorosa. Era um policial federal falando, ou era o juiz? Não, desculpa, minto, era o procurador. Isso. Era o procurador. Ele falava a respeito do tal do deputado estadual, aquele mesmo que tava na sala do meu chefe Cláudio antes. Que o deputado estava sendo indiciado por recebimento de dinheiro, coisa e tal. O José Shmidt gritou lá do fundo da sala que foi o puto, desculpa, doutor, foi o que ele disse, que o puto do Amílcar da Logística que foi quem denunciou o Aguinaldo. A Margarida se meteu, confirmando que foi o Amílcar da Logística mesmo, que o cara ficou todo cheio de ciúmes do Aguinaldo da Finanças que tava arrastando asa para a pobre da Elizete que não era nada mais que uma boa moça, honesta e limpa. A Margarete tem isso de elogiar as pessoas que ela gosta como sendo limpas. O Aguinaldo nem tava ali para se defender, que eu sabia que o rabo-preso da história era meu chefe, que eu vi combinando cambalacho com o fiscal da receita, mas não falei nada. Mas, doutor, olha a situação: todo mundo batendo boca ali na recepção, o juiz ali na televisão falando do deputado… Não, era juíz, né? Era o policial. Isso. Me confundi antes. Era um policial federal. Enfim, o policial federal falando do deputado, a turma dizendo horrores da Elizete, que era limpa mesmo, e eu vi… Doutor, eu vi ali na televisão, atrás do juiz…
- O teu chefe?
- Não! Doutor! Uma galinha! Na televisão! E eu gritei: galinha! E metade da turma, achando que eu tava atacando a Elizete, acho que achando que ela era uma galinha mesmo, começou a gritar junto! Galinha! Daí foi porrada para todo lado, que tinha gente que achava que a Elizete era inocente e não tinha nada que ver, nem com a briga, nem com as maracutaias da chefia. Seu Antônio apareceu depois, chorando, veio avisar que o Cláudio disse que ia sair de férias. E levou a Elizete com ele.
Yago ficou quieto.
Doutor Gouveia tirou os óculos e começou a limpar as lentes com um lenço de papel, contido. Ninguém dizia nada. O doutor, a esse ponto, se recusava a fazer qualquer pergunta. Yago parecia perturbado. Depois que o silêncio pesou, Yago continuou a explicação:
- Pois é doutor… Todo mundo meio consternado, pensando no seu próprio emprego… Eu voltei para minha sala. E foi aí que eu vi, em cima da cadeira, bem onde tinha estado a galinha. Tinha um ovo. Um ovo, doutor. Tá aqui.
Yago se virou, abriu sua mochila, tirou dali de dentro um tupperware com um ovo dentro. Botou em cima da mesa do médico.
- Então, doutor. Pode ser que eu esteja ficando maluco?
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2019.07.04 13:23 gabpac A Inescapável Patologia do Homem que via Galinhas

- Deixe-me entender… O senhor diz que está vendo uma galinha? É isso?
- Isso, doutor. Uma galinha.
- Sei… Uma galinha. Uma só. Poderiam ser mais? - O doutor gesticulava usando só os dedos enquanto perguntava. - Talvez duas ou três?
- Não, não é isso, doutor. É que eu vejo uma galinha. Eu só não tenho certeza se é sempre a mesma, ou se cada vez que eu vejo uma galinha, na verdade, trata-se de outra galinha muito parecida. Eu não tenho muita experiência com galináceos, né? Não sei diferenciar uma galinha de outra. O doutor entenda… eu sempre vivi na cidade…
- Sei… O senhor está sendo perseguido por uma ou mais galinhas, uma de cada vez?
- Perseguido? bem, doutor, eu não diria perseguido. Eu vejo a galinha, digo, uma galinha, e ela está ali, cuidando da sua vida, fazendo... Sei lá, fazendo o que galinhas costumam fazer. Mas de forma alguma eu diria que estou sendo perseguido. Ao menos não por galinhas.
- O senhor está vendo uma galinha agora?
- Aqui, no consultório? Não, doutor. Aqui não tem galinha nenhuma. Mas tinha uma lá fora, na entrada do prédio.
- Na entrada do prédio. - O médico repetiu bem devagar, batendo com a caneta na palma da mão. - O senhor compreende que estamos bem no centro da cidade, não?
O rapaz sorriu.
- Doutor, se estivéssemos na zona rural e eu visse uma galinha, não teria procurado um médico, não é?
Doutor Gouveia não pareceu achar muita graça do comentário. Terminou uma anotação, empurrou os óculos mais para cima do nariz, fungou uma ou duas vezes e se aprumou para preencher o prontuário.
- Vamos ver… O senhor se chama Tiago Duarte…
- É Yago, com ipsilone.
- Yago. Yago Duarte, tem trinta e três anos. Profissão?
- Eu sou diretor do departamento de compras.
- Sei… - O doutor ia escrevendo, sem olhar para o paciente. - Casado? Filhos?
- Não. Solteiro. Eh, divorciado. Quer dizer, separado. Sem filhos.
- Ahan… O senhor é saudável de uma maneira geral? Sofre de alguma moléstia crônica?
- Não. Um resfriado, de vez em quando, né? Nada sério.
- Sei… E tem passado por algum estresse? Algum evento traumático?
Yago balançou a cabeça.
- Confusão no trabalho… Mas nada, não.
- Oquei… - o doutor esticou o "O" do oquei enquanto empurrava sua cadeira de rodinhas para trás.
- Então, senhor Yago, me conte porque o senhor me procurou.
- Eu vejo galinhas. - Yago respondeu casualmente. O doutor seguia encarando o paciente. Levantou a sobrancelha e franziu a testa, tentando encorajar o rapaz a continuar falando. - Pois é, doutor. É isso. Eu vejo galinhas.
- Como foi, eh… Como foi que isso começou?
- Foi na terça-feira. Eu acordei cedo para ir ao trabalho. Botei os chinelos no pé e fui até a cozinha para passar um café. Eu ia arrumando a cafeteira, botando água, ajeitando o filtro, quando eu ouvi um ruído vindo da sala. Eu moro sozinho, eu não tenho bicho em casa, virei para olhar e ali estava ela, uma galinha, assim, desse tamanho. Era só a cara dela, olhando pela porta com o pescoço esticado, me espiando. Assim que eu me virei para a porta, ela saiu correndo.
- Sei… O senhor viu e também ouviu a galinha?
- Ouvi. Vi e ouvi, sim. Levei um baita susto, né? Porque uma galinha assim, na minha casa… Eu moro no segundo andar, lá na Aristides da Costa. Rua movimentada. Uma galinha? Não faz sentido, né? Eu fui atrás dela, que ela correu para a sala. Eu juro para o senhor. Fiquei meia hora procurando a bicha. Quase perdi a hora. Saí sem tomar café.
- Sei… E foi só isso?
- Não, claro que não. Se fosse só isso, bem, eu ia achar que foi confusão da minha cabeça. Acontece, né? Mas não. Eu segui para o trabalho no carro e daí eu parei no sinal. Assim que o sinal abriu eu vi, ali na esquina, uma galinha. Tava lá, correndo de um lado para o outro da rua transversal, que nem na piada.
- Que piada?
- Aquela: por que é que a galinha cruzou a rua?
- Ah. Claro, claro. A piada. Sei.
Ficaram os dois em silêncio. Yago, como se pensando na piada, e o doutor Gouveia esperando ele continuar a história.
- E depois? - O doutor incentivou.
- Depois o que?
- Depois da galinha que o senhor viu no sinaleiro...
- Ah! É. A galinha que cruzou a rua. Fiquei olhando, mas a galinha sumiu. Quis perguntar para o carro do lado se ele também tinha visto. Quer dizer, para o motorista do carro ao lado, que eu não converso com carro… Não sou biruta, ainda, eu acho. Mas aí começaram a buzinar e eu tive que seguir adiante. Doutor, o senhor acha que eu estou louco?
- Senhor Yago, é muito cedo para eu te dar algum diagnóstico preciso. Conte mais. Essa galinha na esquina, foi a última?
- Não! Antes fosse, antes fosse. Foram várias. Teve essa, escute, doutor. Eu ia chegando no escritório, descendo a rampa da garagem do prédio quando eu vi, subindo a rampa em sentido contrário, uma galinha! Nem deu tempo de conter o susto. Gritei para o guardinha, Ô, Antônio! Ô, seu Antônio? Você viu essa galinha?, seu Antônio nem me ouviu. Estava abrindo o portão para a Elizete. Eu acho, doutor, que o seu Antônio tem alguma coisa com a Elizete… - Yago coçou vigorosamente a têmpora e fez uma careta. Daí ficou compenetrado, olhando para um ponto fixo na parede. - Seu Antônio e a Elizete… - Yago voltou à vida e olhou de volta para o doutor. - Bem! Eu passei a manhã distraído, de tal jeito que nem me recuperei direito. E logo depois, doutor, imagine, eu tinha uma reunião de almoço com uns fornecedores do Paraná. Adivinha o que fomos comer?
- Galinha?
Yago olhou para o doutor com estranhamento e as suas sobrancelhas se uniram. Em voz baixa e levantando os ombros respondeu:
- Não doutor. Peixe… Por que é que eu iria comer galinha?
- Eu… eu não sei. Não importa. - Doutor Gouveia sacudiu a cabeça. - Continue.
- Enfim, doutor. Foi eu me sentar na cadeira no restaurante e uma galinha saiu correndo para a cozinha. Garçom! Garçom! Uma galinha, ali, acabou de entrar na cozinha! Eu me levantei e apontei. O garçom ficou me olhando, sem entender o que eu queria dele. Senhor, esse é um restaurante de peixes. Não temos frango. O senhor gostaria de uma salada, talvez? Ele não entendeu, né? Achou que eu estava pedindo para comer uma galinha. Eu ia pedir para entrar na cozinha e procurar o bicho, mas eu estava ali com os fornecedores. Ruim isso, né doutor? Que eu tive que me segurar e sentar na minha cadeira, participar da conversa… Mas eu estava distraído, pensando, tentando entender…
- De onde veio a galinha?
- Não, não. - Yago se irritou. - A questão do Antônio e da Elizete! Que a Elizete é secretária do segundo andar, começou faz poucos meses, e o Antônio é funcionário antigo. Será que tinha alguma coisa ali mesmo? Porque, se tinha, o chefe da logística ia ficar cabreiro. O chefe da logística, o Amílcar, o pessoal espalhou que contratou a Elizete por conta do… da… do… enfim, por conta de elementos extra-profissionais, entende?
O doutor deu um suspiro.
- Houve mais casos em que o senhor viu uma galinha?
- Aconteceu sim, naquele dia mesmo, logo em seguida do almoço. Fui para a sala do chefe. Quando eu ia entrando, saiu dali um cara que era assessor de um deputado estadual. Aí tem, eu pensei, que o tal deputado tava enrolado em um monte de coisa que a gente já tinha ouvido dizer, mas que ninguém tinha provas. Doutor sabe do que eu estou falando, né? Bem, entrei ali, conversar com o chefe sobre o almoço com os fornecedores do Paraná. Eu vi, em cima da mesa, uma pasta que ele estava tentando esconder com a mão, fingindo que não era nada… Mas eu li a palavra Licitação. Vixi! Mas, bem, não tenho nada com isso, né? Só que, daí, assim que eu ia saindo da sala, eu olhei para o lado de fora eu vi!
- A Elizete?
- Não, doutor, a Elizete trabalha em outro andar. Uma galinha! cruzando o corredor na frente da sala do chefe! Eu ainda perguntei pro meu chefe, o senhor viu isso, seu Cláudio?, Isso o que?, A, o, a… deixa para lá. Não é nada não. Tenha um bom dia! Me levantei e saí correndo pegar a bicha! Ô, Siomara, você viu? Passou aqui mesmo!, Do que é que você está falando, Yago? Não vi nada passando aqui, Bem, nada não, Siomara. Desculpa! Desisti e voltei para minha sala.
- Isso que você conta foi… na terça feira, certo? - O médico perguntou enquanto consultava o prontuário.
- Terça-feira. Mas quarta feira foi bem pior.
- Conte, por favor.
Yago esfregou os olhos com as mãos, olhou para um canto do teto por uns segundos enquanto sacudia os dedos como se fosse um pianista pronto para dar o primeiro acorde. Juntou as mãos e voltou a olhar para o médico.
- Ah! Quarta-feira… Eu dormi bem. Nem sonhei, ou não me lembro de ter sonhado. Eu acordei cedo para ir ao trabalho. Botei os chinelos no pé e fui até a cozinha para passar um café. Eu ia arrumando a cafeteira, botando água, ajeitando o filtro, quando eu ouvi, de novo, um ruído vindo da sala.
O médico interrompeu:
- Senhor Yago, me diga, o senhor tem a sua rotina bem estabelecida? Costuma fazer as coisas exatamente da mesma maneira, todos os dias?
- Não sei, doutor… Eu tenho lá minhas coisinhas, né? Todo mundo tem. Eu gosto de tomar café de manhã, todas as manhãs. O senhor não?
O doutor Gouveia ignorou a pergunta, anotou alguma coisa no prontuário e pediu para o paciente continuar:
- Então, o senhor dizia que tinha ouvido um barulho vindo da sala. O que aconteceu depois?
- Isso. Um barulho na sala! Já fui pensando se era, ou se não era uma galinha. Eu já tinha me esquecido dessa história... Uma galinha na minha sala… Isso não faz nenhum sentido, né? Mas não. Não ouvi mais nada. Dessa vez eu não parei para procurar por galinha nenhuma. Tomei o meu café e fui para o escritório. Eu juro, doutor, que eu fiquei atento se me aparecia uma galinha no caminho… Mas não apareceu. Estacionei o carro e, lá da garagem eu chamei, o elevador. Estava ali, esperando, me distraí, lembrei de uns papéis que tinha que ter trazido comigo e não tinha certeza se estavam na minha pasta. Abri a pasta, conferi que estavam ali e fechei de novo. Eu não tinha reparado, mas o elevador já tinha chegado e, quando me dei conta, só deu tempo de ver as portas se fechando. E ali dentro, doutor, uma galinha! Eu tentei segurar a porta, enfiar o pé no vão, apertar o botão… Mas lá se foram, a galinha e o elevador.
Yago deu um suspiro, como se tivesse perdido o elevador naquele momento.
- Subi de escada, correndo. No caminho apareceu um colega, o Oviedo. Ele tava com uma cara assustada, ansiosa, eu já ia perguntar se ele por acaso tinha visto uma galinha. Mas ele foi mais rápido e disse: Yago… Você tá subindo para o teu escritório? Eu tava, né? Para onde mais era para eu estar indo àquela hora da manhã? Eu respondi que sim. O Oviedo pensou, pensou e daí resolveu dizer, cochichando: Ó, melhor dar um tempo, Yago. Tá tudo meio complicado lá em cima. Sai, vai até a padaria, faz uma hora por lá… depois volta. Eu até que ia seguir o conselho dele, mas quando eu ia me virar para seguir o Oviedo, eu escuto: cocó! Cocó-có! Meu senhor Jesus Cristo! Eu agora pego a penosa! Subi correndo escada acima seguindo o barulho, fui até o alto do prédio… Mas não vi a galinha, se é que tinha alguma galinha. Eu estava esbaforido, o doutor pode imaginar, né? Eu, assim, meio gordinho, subindo oito andares de escada vestindo camisa, carregando minha maletinha… Quando então, ali na escadaria mesmo, logo ali no andar debaixo, o que eu vejo?
O médico fez uma cara um pouco aparvalhada, levantou as palmas das mãos e tentou:
- A Elizete?
- Não! O auditor da receita federal conversando com o meu chefe! Doutor! Que susto! O Oviedo deve ter visto alguma fuzarca no escritório do chefe, mas quem viu o Cláudio conversando com o auditor fui eu. Aperto de mão, tapinha no ombro, cochicho…
- Senhor Yago, isso tem alguma coisa à ver com o seu problema?
- Tem, tem sim! - E aí Yago soltou tudo, num sopro só, ofegando, como se tivesse acabado de subir os oito andares de escada. - Porque eu ia vendo isso ali no meio lance de escadas abaixo do meu, quando eu vi, logo ali, uma galinha! Doutor, ali, meio lance de escada abaixo de mim! Tava ali a penosa, popó, popopó, ciscando o chão de pedra. Só que eu não podia me mexer. Aliás, se a galinha fizesse muito barulho ia chamar a atenção dos dois ali embaixo, e podia ser que me vissem. Doutor! eu fiquei paralisado, suando bicas, olhando para a galinha a menos de dez degraus de onde eu estava. Popo popo popó. Ela não descia nem subia. Eu olhava para ela e ao mesmo tempo tentava escutar o que os dois conversavam ali em baixo. Nem consegui ouvir tudo direito, mas era maracutaia. Das brabas.
O doutor se levantou, atravessou a sala, encheu um copo d'água do filtro que estava sobre um móvel.
- Tome, Yago. Tente se acalmar.
Bebeu toda água em um gole só. Devolveu o copo para o médico, gesticulando que precisava de outro copo.
- Já trago mais.
O médico trouxe mais dois copos cheios. Yago tomou o primeiro de uma vez só e, mais calmo, tomou o outro aos goles. Secou a testa suada com a manga da camisa e prosseguiu.
- Assim que os dois terminaram de conversar, entraram e bateram a porta atrás deles. A galinha se assustou e saiu meio voando, meio correndo, escadaria abaixo. Eu fui atrás. Doutor, já perseguiu uma galinha escada abaixo? O Senhor tenha misericórdia, doutor, que eu quase caí um par de vezes. E não alcancei o bicho. Cheguei lá em baixo. Nada de galinha. Sumiu de novo.
Com os cotovelos sobre a mesa, Yago apoiou sua testa nas mãos e suspirou com um ar cansado.
- Sumiu de novo a diaba da galinha. E eu fiquei ali no fim da escadaria, lá no estacionamento, parecendo um palerma, suado e bufando. Posso pegar mais um copo d'água?
Se levantou sem esperar resposta. Encheu o copo que tinha na mão, bebeu e repetiu. Antes de sentar-se, disse:
- Enquanto eu tomava fôlego, ainda ali na escadaria, me aparece o Oviedo com uma coxinha e um guardanapo todo engordurado. Você ainda está aqui?! Cara tá uma confusão no segundo andar! Pegaram a Elizete com o Aguinaldo das Finanças. Parece que vão demitir ele. Imagine, doutor… - Yago riu. - Demitir o Aguinaldo das Finanças. O cara é sobrinho do dono da empresa! Iam demitir nada.
Com gestos impacientes o doutor Gouveia parecia tentar puxar a história contada com as mãos:
- Tá… Mais alguma galinha na quarta-feira?
- Não ao longo do dia. E que dia, doutor! Aguinaldo das Finanças pelo jeito ia ser afastado. Ninguém tinha visto o rapaz pelo escritório e o falatório era geral. A Elizete era outra que tinha sumido. Meu chefe ficou o dia fechado na salinha dele e eu almocei um sanduíche com o Oviedo, ver se eu me botava a par das fofocas do escritório. Oviedo é um baita fofoqueiro… Mas galinha, só uma no caminho de volta para casa e outra pulando de uma varanda até a outra no prédio da frente.
- O senhor não achou que já era hora de procurar um médico?
- Não. Eu estava bem. Estava tudo bem. Eu via umas galinhas… E daí?
- Então por que o senhor me procurou hoje?
- Por causa do que aconteceu na quinta.
- Quinta… Ontem, o senhor quer dizer?
- Isso. Ontem.
O médico fechou os olhos, espalmou as mãos sobre a mesa, respirou fundo e perguntou, bem pausadamente, mal contendo sua irritação:
- Então... o que aconteceu ontem?
- Bem, eu acordei cedo para ir ao trabalho. Botei os chinelos no pé e fui até a cozinha para passar um café. Eu ia arrumando a cafeteira, botando água, ajeitando o filtro, quando eu ouvi, de novo, um ruído vindo da sala.
O médico não perguntou nada. Pegou o queixo com a mão, olhando para o paciente por detrás dos óculos. Nem um gesto, nem uma menção para Yago continuar falando.
- Não era nada. - Yago finalmente disse, olhando para o chão. - Quer dizer, eu não vi nada. Não encontrei a galinha. Já estava me acostumando com as galinhas na minha vida. Estivesse ela ali no meu apartamento, ou não, eu já nem ligava, né? Desde que não fizesse cocô no meu tapete, ou no sofá… Bem, então, fui para o escritório. Cheguei no escritório e vi o seu Antônio com uma cara sombria, sério, agitado. Ele que era tão alegre, tão calmo. Aí tem, que eu lembrei da fofoca do dia anterior. Estacionei, subi para o meu andar. Na minha sala não tinha ninguém. Estava tudo vazio. Tinha era uma galinha sentada na minha cadeira. Doutor! Me enfezei. Aí já era demais, né? Aí já era abuso! Na minha cadeira! Me posicionei para emboscar a galinha. Me aproximei dela devagar, com as mãos prontas para agarrar a bicha, quando alguém na porta passa correndo, sem olhar, e avisa: Ó, Yago, Tá um fuzuê lá na recepção! Melhor vir ver! Acho que era o Dogoberto. Quando eu me virei de volta, a galinha já tinha sumido. Deixei minha maletinha em cima da mesa e fui ver o que o Dogoberto queria de mim.
Yago se ajeitou na cadeira e seguiu contando:
- Tava uma galera lá na recepção. Todo mundo ao redor de uma televisão que normalmente fica passando uma apresentação de Power-Point horrorosa. Era um policial federal falando, ou era o juiz? Não, desculpa, minto, era o procurador. Isso. Era o procurador. Ele falava a respeito do tal do deputado estadual, aquele mesmo que tava na sala do meu chefe Cláudio antes. Que o deputado estava sendo indiciado por recebimento de dinheiro, coisa e tal. O José Shmidt gritou lá do fundo da sala que foi o puto, desculpa, doutor, foi o que ele disse, que o puto do Amílcar da Logística que foi quem denunciou o Aguinaldo. A Margarida se meteu, confirmando que foi o Amílcar da Logística mesmo, que o cara ficou todo cheio de ciúmes do Aguinaldo da Finanças que tava arrastando asa para a pobre da Elizete que não era nada mais que uma boa moça, honesta e limpa. A Margarete tem isso de elogiar as pessoas que ela gosta como sendo limpas. O Aguinaldo nem tava ali para se defender, que eu sabia que o rabo-preso da história era meu chefe, que eu vi combinando cambalacho com o fiscal da receita, mas não falei nada. Mas, doutor, olha a situação: todo mundo batendo boca ali na recepção, o juiz ali na televisão falando do deputado… Não, era juíz, né? Era o policial. Isso. Me confundi antes. Era um policial federal. Enfim, o policial federal falando do deputado, a turma dizendo horrores da Elizete, que era limpa mesmo, e eu vi… Doutor, eu vi ali na televisão, atrás do juiz…
- O teu chefe?
- Não! Doutor! Uma galinha! Na televisão! E eu gritei: galinha! E metade da turma, achando que eu tava atacando a Elizete, acho que achando que ela era uma galinha mesmo, começou a gritar junto! Galinha! Daí foi porrada para todo lado, que tinha gente que achava que a Elizete era inocente e não tinha nada que ver, nem com a briga, nem com as maracutaias da chefia. Seu Antônio apareceu depois, chorando, veio avisar que o Cláudio disse que ia sair de férias. E levou a Elizete com ele.
Yago ficou quieto.
Doutor Gouveia tirou os óculos e começou a limpar as lentes com um lenço de papel, contido. Ninguém dizia nada. O doutor, a esse ponto, se recusava a fazer qualquer pergunta. Yago parecia perturbado. Depois que o silêncio pesou, Yago continuou a explicação:
- Pois é doutor… Todo mundo meio consternado, pensando no seu próprio emprego… Eu voltei para minha sala. E foi aí que eu vi, em cima da cadeira, bem onde tinha estado a galinha. Tinha um ovo. Um ovo, doutor. Tá aqui.
Yago se virou, abriu sua mochila, tirou dali de dentro um tupperware com um ovo dentro. Botou em cima da mesa do médico.
- Então, doutor. Pode ser que eu esteja ficando maluco?
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2019.05.30 22:09 KoopaTrope Sonhos lúcidos

- É sua tarefa, Luís, não minha.

- Eu sei, só estou pedindo ajuda. Você não pode me explicar?

O escritório inteiro olhava para os dois, mas a colega com quem ele falava nem tirava os olhos da tela para respondê-lo.

- Não. É responsabilidade sua.

Ele ficou ali, de pé, constrangido. A mulher acrescentou:

- Pôr calças também seria uma boa ideia.

Luís percebeu que estava pelado abaixo da cintura. Cobriu suas partes com as mãos e, envergonhado, voltou ao seu lugar. Sentou-se e fingiu que estava tudo normal. Perguntou-se se Mara havia visto aquela humilhação toda.

Tentou trabalhar, mas raciocinar estava difícil, então abriu o Outlook e digitou:


“Para: Suporte Técnico Assunto: Café Mensagem: 

Olá, Poderiam, por favor, me trazer uma xícara de café? Aguardo sua resposta. Atenciosamente, Luís Monteiro” 


Assim que enviou o e-mail, Mara veio ao seu cubículo conversar. Ela estava de saia rosa e uma boa parte da coxa de fora. Luís afundou-se na cadeira tentando esconder sua nudez debaixo da mesa.

- Precisa de ajuda? - A voz, assim como o rosto, era da sua ex, mas aquela era a Mara mesmo assim.

- Preciso.

Ele tentou se lembrar aonde estava guardado, na rede, o arquivo que precisava preencher. Abria diversas pastas mas não o achava. Mara mudava o peso de uma perna para a outra, impaciente.

Ele clicou duas vezes em um arquivo e um emulador de Super Nintendo se abriu, com as palavras “STAR WARS” em amarelo num fundo preto. A versão 16-bit do tema do filme tocando alto.

- Não sei o que é isso - ele mentiu enquanto tentava abaixar o volume da caixa de som, sem sucesso. - Nunca instalei isso. Não é meu.

Diversos colegas se aproximaram para olhar sua tela.

- Aqui está o café! - gritou o cara do suporte técnico, tentando ser ouvido por cima da música.

Luís tentava fechar a janela do emulador, mas não conseguia. O logo amarelo se distanciava da tela e um texto o seguia lentamente pelo espaço. A música continuava jorrando. O cursor estava em cima do “X”, mas quando ele clicava nada acontecia. No desespero, acertou com o cotovelo a xícara que havia surgido em cima da mesa. Mara gritou quando o café pelando caiu na sua perna.

- Desculpa! - Luís disse se levantando.

Os olhares dos colegas o lembraram que ele estava pelado. Mara chorava. Ela tirou a mão da coxa revelando uma ferida em carne viva.

- Desculpa! - Ele implorou.

A menina olhou para a nudez de Luís. Sua expressão passou de dor para surpresa, e logo para a de desespero.

- Na sua barriga também! - Ela disse, apontando para o jovem.

Ele olhou para baixo.

Sua barriga estava tostada. Bolhas cresciam e estouravam, fazendo sangue e pus escorrerem pelas suas pernas.


Tudo aquilo desapareceu, exceto pela música, e Luís viu-se em seu quarto, deitado na cama. O lap top estava quente em sua barriga ainda com Super Star Wars ligado. Fechou a janela do jogo assim que entendeu o que estava acontecendo. Ah, silêncio!

Havia chegado tarde do trabalho, descongelado e comido uma lasanha e deitado no escuro para jogar um pouco e relaxar. Nem percebeu quando caiu no sono. Devia ter esbarrado em alguma coisa e o lap top saiu do modo inativo, o acordando.

“Que merda de sonho”, pensou. Ter pesadelos já era ruim, mas sonhar que estava trabalhando era horrível. Chegara do serviço e pegara no sono por oito horas, só para trabalhar lá também. E agora já tinha que voltar pro escritório. Era como se fizesse três turnos emendados. O pior é que esses sonhos estavam cada vez mais frequentes.

Pensou sobre o pesadelo que teve. Aliviava-se ao lembrar dos detalhes e se assegurar de que nenhum deles tinha acontecido de verdade. Riu da ideia de pedir um café por e-mail para o suporte técnico. “Acho que vou fazer isso hoje”, brincou para si mesmo, começando a ficar grogue de sono novamente. Abriu os olhos com urgência e checou as horas no celular. Faltavam quinze minutos pra ter que se levantar.

Quinze minutos era o pior. Muito pouco para voltar a dormir mas muito tempo para desperdiçar se levantando. Já que estava com o computador na cama, abriu uma janela do Reddit e começou a navegar.

No meio de memes e gifs de cachorros, viu uma postagem que, se houvesse visto em outro dia, teria ignorado, mas hoje lhe chamara a atenção. Era um texto sobre sonhos lúcidos. Ele já havia ouvido falar naquilo, sabia que tinha a ver com controlar seus sonhos. “Num pesadelo como o de hoje isso seria muito útil”, pensou.


Ao meio-dia, enquanto almoçava, Luís leu o artigo salvo no celular.

O conceito era o que imaginava: controlar a si mesmo e tudo ao seu redor nos sonhos. A maneira como se alcançava isso era percebendo que estava sonhando sem acordar. Assim a realidade era sua para ser modelada. “Eu poderia fazer o que quisesse”, pensou. “Poderia ser um jedi, ter uma Ferrari, comer a Megan Fox…”.

Leu atentamente a segunda parte do texto, que ensinava como atingir a lucidez nos sonhos.

A primeira dica era ter um diário de sonhos, que deveria ficar na cabeceira da cama, tanto para que fosse possível anotá-lo antes de esquecê-lo, quanto para que de noite a pessoa caísse no sono perto do caderno. Isso faria com que ela inconscientemente se preparasse para sonhar, aumentando suas chances de perceber que sonhava.

Aquilo pareceu bobagem para Luís. Esse papo de inconsciente não era sua praia, mas o próximo ponto parecia mais racional e o fascinava.

Tratava-se de outro tipo de truque para perceber que se estava sonhando. A grande sacada era se viciar nesses truques, de maneira com que a pessoa começasse a testar o seu redor mesmo sem pensar a respeito, até que em algum momento acabaria fazendo aquilo sem querer em um sonho, e então perceberia que estava dormindo.

Dois desses truques fizeram muito sentido para Luís. Um era olhar a palma de sua mão o tempo todo, de cinco em cinco minutos, se possível, todos os dias, até que começasse a fazê-lo sem pensar. Acabaria conhecendo a imagem da sua palma, e quando, por vício, fizesse aquilo em um sonho, reconheceria que aquela não era exatamente a sua mão.

Outro truque que Luís achou que podia funcionar com ele era se viciar em apertar todo interruptor de luz que visse. Teria que, toda vez que entrasse em uma sala sozinho, procurar um interruptor e apertá-lo. Segundo a postagem, assim como a palma da mão, a mudança da luz em uma sala era difícil de ser reproduzida perfeitamente por nosso cérebro.

Se ele era influenciável o suficiente para frequentemente sonhar que estava trabalhando, não via porque não conseguiria condicionar-se a testar uma dessas coisas num sonho.


- Tá tudo bem? - Perguntou Pedro, ao flagrar Luís, de novo, olhando para a palma de sua mão.

- Sim, tudo certo.

Pedro sentava ao seu lado e provavelmente o veria fazendo aquilo diversas vezes ao dia, então Luís abriu o jogo:

- Eu só estou fazendo um teste. É um truque para se ter sonhos lúcidos.

O colega franziu a testa.

- Isso é quando você tem um sonho super realista, tipo A Origem, né?

- Mais ou menos. - Ele respondeu, sem saco para explicar, e com um pouco de vergonha também.

Após os dois ficarem em silêncio por um instante, Luís checou novamente sua palma. Pedro balançou a cabeça negativamente e balbuciou:

- Coisa de louco.

Luís ouviu esse tipo de comentário diversas vezes nos dias seguintes. Mesmo assim, sua força de vontade o fez continuar. De cinco em cinco minutos, as vezes ainda mais frequentemente, ele checava sua palma, não se importando com quem via. Começou a fazê-lo sem pensar, até na frente da Mara.

Sempre que entrava em um cômodo novo e se via sozinho, procurava o interruptor e o apertava, prestando atenção em como a luz se apagava e se acendia. Não importava se estava em casa, no escritório ou qualquer outro lugar. Chegou a apagar a luz sem querer na cozinha do escritório enquanto umas dez pessoas almoçavam. Apenas pediu desculpas e acendeu a lâmpada, aproveitando para reparar bem em como isso mudava o ambiente.

Até a dica do diário de sonhos ele seguiu. No começo sentiu-se um pouco ridículo escrevendo seus sonhos, mas acabou gostando de ter um jornalzinho e poder reler aqueles sonhos bizarros que sumiam de sua cabeça alguns minutos após acordar.

Após dois meses ele havia quase desistido daquilo tudo. Quando apertava um interruptor ou olhava para a palma de sua mão se perguntava por que estava fazendo aquela idiotice, mas então imaginava-se voando num sonho, e sendo um rei por oito horas, todos os dias, e insistia no hábito.


Um dia Luís estava com a Mara na casa dela. A aparência era da casa de sua avó, mas era a da Mara mesmo assim. Sentados no sofá, os dois conversavam, e a menina o tocava quando falava, e ria toda vez que ele fazia um comentário engraçado. “Isso está indo muito bem”, ele pensava, e pela primeira vez perto dela falava com confiança.

- Sabia que seu nome é de uma personagem do Star Wars?

- É mesmo? - Ela arregalou os olhos, muito interessada.

- Sim. Mara Jade. E o seu olho é verde, igual jade…

- Uau! Que coincidência!

- É! Eu pensei nisso assim que me apresentaram você, quando eu entrei na empresa.

- Eu tenho uma coisa do Star Wars aqui.

A moça se levantou e se trancou no closet. Depois de alguns instantes saiu vestindo uma longa tanga vinho que cobria a parte da frente e de trás de sua cintura, aberta nas laterais, um biquini metálico, pulseiras douradas e um colar apertado, do mesmo metal, do qual saia uma corrente. Seu cabelo trançado caia decorado por presilhas amarelas.

- Você gosta? - Ela o provocou.

- Muito - Respondeu, finalmente ficando nervoso.

- Vem.

Mara saiu da sala em direção ao seu quarto e Luís a seguiu. Entre os dois cômodos havia um corredor, e nele, sem pensar, o jovem olhou para a sua mão.

Havia algo de errado. Tentava reconhecer as linhas mas não conseguia. Elas se embaralhavam na sua palma. Apenas quando Luís focava no lugar em que uma linha deveria estar é que ela aparecia corretamente.

“Isso não está certo”, ele pensou.

- Vem, Luís.

Ele podia ver Mara na cama, olhando para ele do quarto. Teve vontade de esquecer a sua mão e ir até ela, mas algo dentro de si dizia que aquilo era muito importante, e que, muito tempo atrás, em um tempo que ele nem se lembrava mais, queria muito que aquilo acontecesse.

“Tinha a ver com perceber se eu estava sonhando”, lembrou. Aquele pensamento o fez procurar por um interruptor de luz.

Do lado da porta do quarto onde Mara estava havia um grande interruptor amarelo. Luís o apertou e nada aconteceu.

“Estranho”, pensou. A lâmpada estava apagada, mas o corredor continuava iluminado. Apertou o botão novamente e viu a luz surgir dentro da lâmpada, um instante mais devagar do que deveria, mas a iluminação ao seu redor continuava a mesma.

Uma realização veio de repente: “estou sonhando”.

Agora ele via a diferença. Era como se tudo existisse de maneira fraca, exceto aquilo em que ele prestava atenção. Olhava para Mara e a única coisa que existia era ela. Olhava para o interruptor e Mara deixava de existir, e após alguns segundos, quando relaxava, coisas ao redor começavam a aparecer em segundo plano, desfocadas.

“O que eu quiser vai existir. Isso é tudo minha imaginação, só preciso aprender a controlá-la”. Olhou para a mulher na cama e concentrou-se, imaginando-a levantando o braço. Ela o levantou. Como se uma chave tivesse sido virada no cérebro de Luís, o sonho parou de acontecer sozinho, e ele se viu no poder.

Ao ganhar o controle, tudo ao seu redor desapareceu. Ele estava no meio do nada.

Lembrou-se do artigo que leu. Haviam diferentes níveis de domínio dos sonhos, e no mais forte apenas o que a pessoa imaginasse existiria, sem nada em segundo plano sendo projetado pelo inconsciente. “Parece que vim direto pro nível mais avançado”, pensou.

Imaginou a Mara numa cama a sua frente e o pensamento se materializou na hora. Ele se aproximou. Agora tudo o que existia era ele, a cama e Mara. Relaxou por um instante e tudo desapareceu. Ele estava no meio do nada de novo. Esforçou-se para fazer Mara e a cama reaparecerem, e conseguiu, mas a mulher não fazia nada, apenas estava lá, da maneira em que ele a imaginava.

Tinha que concentrar-se para que ela continuasse existindo. Suas curvas, seu olhar, seu sorriso, nada daquilo existia mais sozinho, como antes, tudo dependia dele imaginar.

“Isso não é muito diferente de fantasiar acordado”, pensou. Tocou a pele da mulher. Não sentiu nada. Imaginou a textura e a temperatura, e de certa maneira a sentiu. “Isso não é um sonho mais. É só imaginação.” A decepção fez com que ele se desconcentrasse e tudo desapareceu novamente. Dessa vez ele imaginou a Megan Fox na sua frente. Tocou-a e o resultado foi o mesmo: teve que imaginar a sensação. “Isso é ridículo. Eu já me imaginei tocando essas duas um milhão de vezes. No sonho deveria parecer real!”.


O sonho foi interrompido pelos berros de um despertador. Xingando, Luís o desligou. Por instinto ele abriu seu diário de sonhos na página daquele dia, destampou a caneta Bic e olhou para a folha em branco por um segundo. Fechou a caderneta com a caneta no meio e a atirou para o outro canto do quarto. “Que merda”, ele pensou, frustrado. Não anotou mais seus sonhos.

Naquele dia o jovem lutou contra o vício e não olhou nenhuma vez para a palma de sua mão. Quando via um interruptor tinha vontade de xingá-lo. Sentia-se enganado e traído.

Parte de si ainda negava que aquilo realmente acontecera. Enquanto trabalhava, fechou os olhos e imaginou-se tocando a Megan Fox pelada. A sensação era exatamente igual à do sonho. O que ele havia visto e sentido enquanto sonhava não era nem um pingo mais real do que sua imaginação era normalmente, e ele não se considerava alguém com uma imaginação super fértil. Todas aquelas semanas de treino, o ridículo que passara na frente das pessoas ao olhar para sua mão o tempo todo, tudo aquilo para nada. Para um sonho de merda que nem podia ser chamado de sonho.

- Tá dormindo? - Perguntou Pedro, voltando do banheiro.

Luís abriu os olhos e fingiu trabalhar.

- Ou tá sonhando que nem A Origem? - Pedro riu alto com seu comentário, sentou-se e abriu seu lap top com um sorriso no rosto.


Ao chegar do trabalho, Luís comeu um miojo, colocou o pijama e tomou um remédio para dormir, que gostava de ter em casa para uma emergência. Deixou a louça acumular mais um dia. Ainda não eram nem 8 horas, mas ele apagou a luz do quarto e se deitou.

Não sabia exatamente aonde queria chegar, mas precisava sonhar. Ele se perguntou se “acordaria” outra vez dentro do sonho. Se acontecesse, talvez ele pudesse fazer tudo sentir mais real do que na noite passada. Seria bom. Mas ele torcia para que nada disso acontecesse. Ele queria ter um sonho normal, sem lucidez nenhuma. Um sonho que o enganasse até alguns segundos após acordar.

Um facho de luz azulada entrava pela abertura por entre as cortinas e se estampava na parede. Ficava mais forte e esbranquiçado quando um carro passava na rua. Luís assistiu aquilo por uma meia hora.

Ele não percebeu a transição, mas se encontrava em lugar nenhum, no meio do nada. Lá não era escuro, mas também não era claro. Simplesmente não era nada.

Lembrou-se de uma postagem que leu no Reddit, de um cara tentando entender como é possível que cegos simplesmente não enxergam, ao invés de ver tudo escuro. Alguém havia explicado pedindo para que o OP fechasse os olhos. “Tudo o que você vê é preto, certo?”, dizia o comentário. “E o que você vê atrás de si? Tudo escuro também? Não, você simplesmente não enxerga nada atrás de si. Não é preto nem branco, simplesmente não existe”. Assim era o nada ao redor de Luís.

Ele já estivera ali antes. Na noite anterior, assim que começou a sonhar lucidamente e tudo ao seu redor desapareceu, mas dessa vez o jovem soube que estava sonhando no instante em que adormecera e aparecera ali. Nem tivera a chance de ter um sonho não lúcido. “Merda. Será que vai ser assim a noite inteira?”

Resolveu pelo menos tentar se divertir. Lembrou-se do comentário do Pedro sobre Inception e tentou criar uma cidade ao seu redor, como no filme. Imaginou uma rua com calçadas. Não era ultra-realista como ele esperava que seus sonhos lúcidos seriam, era apenas tão real quanto sua imaginação. Ele se perguntou se sempre sonhara assim, tudo meio fora de foco, meio descolorido.

Concentrou-se no chão e, após alguns segundos, conseguiu detalhá-lo bem. O asfalto brilhava e a calçada era feita de paralelepípedos, todos perfeitos e do mesmo tamanho. Grama crescia aqui ou ali, por entre as pedras.

Imaginou um prédio ao seu lado, uma torre de cimento e vidro. Decorou-o com um portão de ferro, alguns degraus levando até a porta de entrada e uma portaria vazia.

Percebeu que, ao imaginar o prédio, havia deixado de lado o chão, que desaparecera. Imaginou-o outra vez, agora se esforçando para manter as duas coisas na cabeça ao mesmo tempo.

Conseguiu fazer ambas as coisas existirem juntas, mas não pôde mantê-las tão detalhadas quanto antes. Se o asfalto brilhava e grama crescia na calçada, o prédio era apenas uma torre cinza sem graça. Se o prédio tinha janelas e uma fachada bonita, o chão tornava-se apenas uma sombra aos seus pés.

“Talvez se eu praticar bastante eu consiga”, pensou, mas não queria treinar aquilo. Não era divertido. Qual era o ponto daquilo tudo? Ele só queria voltar a sonhar normalmente e deixar esses sonhos lúcidos pra trás.

Esqueceu o pedacinho de cidade ao seu redor. Tudo desapareceu e ele voltou ao nada.

Quis relaxar como se tentasse dormir, mas não tinha sono. Claro, já estava dormindo. Sua mente estava relaxada mas em alerta, como quando ele tomava café no escritório mas continuava com preguiça de trabalhar.

Ficou apenas pensando na vida, esperando as horas passarem. Não havia maneira de checá-las. Achava que haviam se passado duas horas, pelo menos. Três talvez. Esperou mais.

Considerou que teria que esperar oito horas até o despertador acordá-lo. Ou mais, porque havia dormido cedo. “Pensei que o tempo nos sonhos passasse mais rápido ou algo assim. Merda de filme”.

Talvez em um sonho de verdade o tempo parecesse passar de maneira diferente, mas ele podia chamar aquilo de sonho? Só estava com sua mente acordada enquanto dormia, nada mais.

Após o que pareciam ter sido realmente oito horas, acordou. Seu corpo estava descansado, mas sua mente não. Era difícil se concentrar em qualquer coisa.

No trabalho ele não rendeu nada e em casa menos ainda. Deixou as tarefas domésticas para o dia seguinte de novo. A louça continuou acumulando e ele sabia que amanhã teria que usar uma camisa amassada, porque não tinha energia para passar.

Faziam dias que ele não falava com seus amigos e família, mas ignorou as ligações de sua mãe, apenas mandou uma mensagem de “está tudo bem, amanhã nos falamos”. Não queria conversar com ninguém naquele estado.

Perto da meia-noite se deitou. Mesmo cansado, a ideia de dormir e ter um sonho daqueles outra vez lhe parecia terrível. Passou a noite inteira jogando Dwarf Fortress e tomando Coca-Cola.


- Meu Deus, você está um caco! - Disse Pedro.

- Não consegui dormir.

Luís olhava para a tela do computador, mas não raciocinava. Os e-mails que chegavam pareciam estar em grego e as conversas ao seu redor não faziam sentido. Não comentou nada nas reuniões em que participou. Se alguém lhe pedisse para resumi-las ele não teria ideia do que foi tratado.

Era como se tivesse ficado mais de 48 horas acordado, já que duas noites atrás, quando havia dormido, não descansara sua mente. No fim do expediente esse número subiu para 56 horas.

As cores estavam diferentes e as palavras não faziam sentido. “Isso já é considerado alucinar? Acho que sim”. Quando olhava para o computador por muito tempo e depois para uma parede branca, via a tela estampada em negativo, desaparecendo aos poucos e aparecendo mais forte cada vez que piscava os olhos.


Naquela noite ele não teve escolha, dormiu. Nem se lembrava de caminhar até a cama e se jogar, mas percebeu quando apareceu naquele nada que eram seus sonhos agora. Lúcido outra vez. Foi quando teve a realização de que talvez nunca mais sonhasse normalmente, e pra sempre estaria “acordado” ao dormir. Talvez ao “virar a chave” no seu cérebro ele tivesse quebrado sua habilidade de sonhar para sempre.

O desespero bateu. Oito horas por dia daquele tédio e solidão para o resto de sua vida seria tortura. Tentou se entreter de alguma maneira.

Criou outro ser humano no sonho e tentou dar-lhe uma personalidade, mas ele só fazia o que Luís imaginasse. Voltou a tentar criar sua cidade. Talvez se fizesse uma bem grande teria como se entreter nela. Dessa vez não tentou detalhá-la demais e preocupou-se apenas em criar o maior número de objetos possíveis, sem fazer os outros desaparecerem. O esforço mental era enorme.

Foi quando percebeu que isso só o esgotaria mais, e seus dias seriam cada vez piores.

Sentou-se no nada e tentou descansar. Teve a ideia de meditar. Não sabia muito bem como fazer aquilo mas sabia que tinha que tentar não pensar em nada. Talvez conseguisse descansar seu cérebro um pouco.

As horas passaram devagar e dolorosamente. Em nenhum momento ele sentiu que ficou menos lúcido, mas quando acordou Luís percebeu que a meditação o ajudou. Continuava exausto, mas sentia-se como se tivesse tirado uma soneca.

Nas noites seguintes ele continuou meditando, tentando usar sua cabeça o mínimo possível. Durante o dia ele lia sobre a prática e religiões orientais, o que ele teria achado ridículo alguns meses atrás. Seus dias voltaram a render, tanto no trabalho quanto em casa, e ele se sentia relativamente descansado. Voltou a comer bem, lavou a louça, ligou para a sua mãe e voltou a sair com seus amigos.

Seus dias eram bons, o problema eram as noites. Oito horas sem fazer nada além de meditar, todos os dias, sozinho, sabendo que a alternativa era sofrer de cansaço durante o dia. Houveram noites em que ele se rebelou. Imaginou-se em cenas de ação, duelando de espadas ou pilotando uma X-Wing. Outra noite passou o Episódio IV inteiro na sua cabeça, como se assistisse ao filme. O resultado dessas noites rebeldes era sempre o mesmo: no dia seguinte era como se não tivesse descansado, e ele prometia para si mesmo que naquela noite não cometeria o mesmo erro.

Após alguns meses ele estava pró em meditar. Já tinha até uma rotina. Criava uma versão simplificada de seu quarto, mas todo “zen”, com um bonsai de pinheiro-negro e um daqueles jardins de areia japoneses, uma janela que sempre dava para um céu azul por onde entrava seu cheiro favorito, o de grama cortada, e silêncio completo. Depois se sentava num puff super confortável, fechava os olhos e tentava não pensar em nada até acordar - o que fazia o quarto desaparecer, mas o importante era aquele relaxamento inicial. Ficou tão bom nisso que não gastava nem cinco minutos para criar o quarto, e conseguia descansar o resto da noite.

Ainda achava todo o papo espiritual das religiões orientais pura baboseira, mas aprender a não pensar em quase nada havia salvado sua vida.


Uma noite ele sentou-se naquele puff, fechou os olhos e prestou atenção em seus pensamentos. “Ainda tenho oito horas disso”, “não vou conseguir me concentrar hoje”, “amanhã tenho muita coisa pra resolver no trabalho”, “toda noite será assim, pro resto da vida?”. Como sempre, no começo seus pensamentos abundavam, mas Luís foi vencendo-os um a um, até que conseguiu manter o foco apenas em uma coisa: um ponto imaginário a cerca de dois metros à sua frente. Toda a sua energia mental estava focada naquilo. Algumas horas se passaram e então, como que num passe de mágica, ele esqueceu de prestar atenção no ponto.

Não percebeu quando passou a não pensar em nada, como havia lido que era possível, mas sempre duvidara. Sua autoconsciência naquele momento era como o nada lá fora: nem escura, nem clara, apenas não existia.

- Oi Luís.

A voz era grossa, mas feminina. Luís abriu os olhos assustado. Estava no meio daquele nada que já conhecia bem. Olhou ao redor, procurando alguém.

“Devo ter imaginado isso” pensou, frustrado de ter que começar a meditação de novo.

Imaginou o quarto. O chão, o puff, o bonsai, a porta, a janela, dessa vez até colocou um aquário em um canto porque estava sentindo-se criativo. Sentou-se no lugar de sempre, sentindo o cheiro de grama cortada.

Alguém bateu na porta.

Luís levantou-se de supetão. “Que porra é essa?”. Ele olhou para a porta assustado, tentando perceber se realmente tinha alguém do outro lado. Imaginou que lá fora o sol brilhava. Debaixo da porta a luz entrava em três fachos, como se houvessem dois pés parados do lado de fora. Certamente ele não estava imaginando aquilo de propósito.

Criou um olho mágico na porta e espiou. Do outro lado havia uma pessoa com longos cabelos pretos.

- Deixa eu entrar, Luís - ela disse.

Ele hesitou por um instante, mas ter um amigo nessas noites não seria nada mal. “Foda-se”, pensou, e abriu a porta.

A criatura entrou quase que violentamente, mas sorrindo. Olhava ao redor com muito interesse. Ela não usava nenhuma peça de roupa, mas seu magro corpo era coberto de pêlos, como os de um cavalo, e os longos cabelos pretos chegavam à cintura.

- Hm, não quer se sentar? - Luís apontou para a cama, sem jeito.

Ela se acomodou e bateu com uma mão peluda ao seu lado, sinalizando para que Luís se sentasse também.

Ele obedeceu.

- Quem é você? - O jovem perguntou.

Ela o olhou com grandes pupilas que cobriam quase todo o espaço branco dos olhos, que estavam abaixo de grossas e bagunçadas sobrancelhas. Quase sem queixo, seu rosto terminava em uma larga boca que ia de orelha a orelha.

- Não sei - ela respondeu, com toda a honestidade do mundo.

- Mas como você veio parar aqui, na minha cabeça, se eu não estou te imaginando?

Ela riu. Seus dentes eram pontudos.

- Eu sempre estive aqui, você que chegou faz pouco tempo.

- Então por que eu não te vi antes?

- Eu não pude fazer muita coisa desde que você assumiu o controle. - Ela já havia perdido o interesse no jovem e voltara a olhar ao seu redor. - Você me bloqueou.

- O que você fazia antes?

A mulher se levantou para olhar de perto o aquário.

- Se lá, o que eu quisesse - disse, batendo no vidro.

- Mas sempre aqui, na minha cabeça?

- Sempre aqui. Onde mais? - Ela pegou um peixe amarelo e o jogou em sua boca. Luís tentou disfarçar o choque - Mas, aparentemente, - ela continuou, mastigando - você prefere apertar um interruptor do que transar com a Mara vestida de Leia, o que eu posso fazer?

Ele ficou sem palavras por um instante, tentando entender o sentido daquilo tudo.

- Você controlava meus sonhos?

- Boa parte sim. A maior parte não.

- A maior parte eu que criava, certo? Meu inconsciente que criava?

- Sei lá - Ela fez uma cara como se nunca tivesse ouvido aquela palavra. - Só sei que você tirou todo mundo da jogada, né?

- E o que aconteceu com ele?

Ela deu de ombros, sinalizando que não sabia.

- E por que foi você que apareceu agora, e não o meu inconsciente?

Ela deixou o aquário de lado e o olhou seriamente.

- Olha, eu não sei responder essas coisas. Essas palavras que você usa… É difícil explicar o que se passa por aqui. - Ela foi até o bonsai, arrancou uma folha em formato de agulha e a cheirou. - Só sei que vi uma brexa e entrei. Fui mais rápida que qualquer outra coisa, acho. Só isso.

A mulher parecia não conseguir focar em algo por muito tempo. Luís apenas a observou, até tomar coragem e perguntar:

- Você pode me fazer sonhar como antigamente?

Ela o olhou surpresa, as grossas sobrancelhas arqueadas.

- Você quer isso?

- Quero.

- Eu… Sim, eu posso. Eu posso! Você só precisa me ajudar.

- Como?

- Senta num canto e fecha os olhos. Vou fazer umas coisas por aqui. Não me atrapalha!

- Tudo bem.

Ele sentou-se no puff e fechou os olhos. Já que teria que esperar, era melhor descansar. Esqueceu o quarto ao seu redor e focou apenas em sua mente.

- Não abre os olhos! - A criatura falou.

Luís a ouvia andando de um lado pro outro, como se estivesse muito ocupada.

- Vou fazer você não perceber que é um sonho. Você gosta de terror?

Ele demorou um instante pra entender a pergunta.

- Prefiro sci-fi e fantasia.

- Mas terror é legal também, né?

- Sim.

O jovem sentia e ouvia coisas aparecendo ao seu redor. Um ar frio chegou até ele, cheirando a umidade. Ouviu passos de outras criaturas. Uma, duas, três. Andavam de quatro, como cachorros.

Ele sabia que não estava imaginando aquilo, estava tendo um sonho de verdade, finalmente. Sentiu uma das criaturas aproximar-se de si.

Luís abriu os olhos. Estava em seu quarto novamente, acordado.

O dia passou devagar. A perspectiva de voltar a sonhar e de ter uma noite inteira de descanso fez com que ele apenas pensasse em dormir. Quando finalmente se deitou, após tomar alguns comprimidos, nem percebeu a transição.


Estava escuro. Ao seu redor coisas que ele não podia ver caminhavam e rastejavam. O chão era frio e lamacento. Ele não sabia onde estava, sabia apenas uma coisa: as criaturas procuravam por ele, e podiam farejar seus pensamentos.

Se escondeu no que parecia ser, pelo tato, uma abertura nas raízes de uma árvore. Sentia pequenas coisas que viviam ali rastejando e subindo em seu corpo. Tentou não pensar em nada enquanto tremia de frio e medo espremido naquele buraco.

Um pensamento fraco acendeu em sua cabeça. Havia algo que ele deveria se lembrar. Algo óbvio que explicaria o que era tudo aquilo, como ele chegara até lá. Por um instante ele deixou aquele pensamento tomar conta de sua cabeça.

Uma das bestas saltou até sua frente, grunhindo. Ele ouviu uma segunda, uma terceira, e muitas outras criaturas se aproximarem. Elas sabiam que ele estava lá.

Antes que pudesse tentar qualquer coisa, dentes afiados espremeram seu braço e o puxaram com uma força descomunal. Luís sentiu diversos focinhos em seu corpo, cada um arrancando um pedaço de carne.

Enquanto sentia seus órgãos sendo arrancados do seu corpo, ele ouvia o rugido dos animais. Misturado com aquele som, ouvia também uma risada grave de mulher.


Luís acordou antes do despertador tocar. Checou no celular: apenas um minuto para o alarme. Desligou-o rapidamente. Adorava quando isso acontecia. Havia dormido tudo o que tinha que dormir e não teve que ouvir nenhum barulho. Riu de felicidade. "O dia começou bem", pensou.

Levantou-se e considerou o que comer. Acabou se decidindo por fazer ovos mexidos com tomate, requeijão e um presunto que ele tinha que usar antes que estragasse. Colocou "Cantina Band" pra tocar enquanto cozinhava, assobiando a melodia apenas de samba-canção.

Estava de bom humor. Por que não estaria? Fazia mais de um mês que ele dormia maravilhosamente bem. Tinha pesadelos todas as noites, mas acordava descansado, ao contrário da época dos sonhos lúcidos. Agora seu cérebro conseguia relaxar durante a noite, ainda mais do que quando meditava dormindo.

O dia se passou sem qualquer acontecimento relevante. Mais uma noite no escuro, desprotegido, ouvindo ruídos terríveis ao seu redor. Outro dia. Outra noite. E outra. E outra. As vezes era atacado durante o sonho. Sentia sua pele sendo rasgada por centenas de dentes e as bestas saltando de todos os lados para provar sua carne. Outras noites apenas se agachava e chorava, tentando entender aonde estava, e o que havia feito para merecer aquilo. Tremia de medo das coisas ao seu redor. Durante os pesadelos tinha a sensação de já ter estado ali outras vezes, de ter sido atacado e comido vivo, mas não entendia porque havia voltado, e se um dia escaparia de vez.

Durante o dia estava feliz. Produzia bastante no trabalho, via seus amigos e sua família. Depois de meses finalmente sentia-se totalmente descansado, mas as vezes, quando estava sozinho em casa ou no banheiro da firma, fechava os olhos e via cenas horríveis. Criaturas com presas gigantes esperando a noite para lhe caçar. Elas estavam lá ainda, escondidas num cantinho da sua mente. Ele se lembrava dos sonhos quando estava acordado, era quando dormia que não se lembrava de onde veio.

Ao deitar tinha receio de dormir. Sabia que os pesadelos estavam fazendo bem para ele, mas o medo era inevitável. Fazia duas semanas que ele tomava remédio para dormir todas as noites, e pegava no sono encolhido, abraçado no travesseiro. “Talvez se eu me esforçar um pouquinho pra sonhar lucidamente, só um pouquinho…”, pensou já grogue, enquanto o quarto desaparecia ao seu redor.

Estava encolhido, escondido dos monstros na escuridão. Tentava não pensar em nada para não os atrair, mas um pensamento rápido invadiu sua cabeça: aquilo poderia ser um pesadelo. Estava tão escuro que não podia ver sua palma da mão. Não havia interruptores por perto. Sabia que se imaginasse algo e aquilo acontecesse provaria que estava em um sonho, mas só de tentar isso já atrairia as bestas. Sentiu uma se aproximar, farejando. Podia ouví-la se movendo no escuro. “Foda-se”. Imaginou o local em que a criatura estava sendo engolido por labaredas.

Acendeu-se uma fogueira imensa e toda a floresta se iluminou de dourado. O monstro uivava. Olhos por todos os lados voltaram-se para Luís enquanto ele se esforçava para manter aquele pensamento e a chama acesa. Colocou fogo em outro. E mais um. Cada labareda criava compridas sombras pela floresta.

Monstros saltaram em sua direção por todos os lados. Ele imaginou-se um mago, criando uma barreira de proteção ao seu redor. Uma esfera invisível lhe protegia dos ataques. Era difícil imaginar tanta coisa ao mesmo tempo e apenas um dos monstros continuou aceso. Estava imóvel. Deitado, queimava como uma pilha de carvão.

- Idiota! - Era a voz da mulher que havia prometido o ajudar.

As criaturas rodeavam a barreira protetora. Luís, com cuidado para não a tirar da cabeça ou a enfraquecer sem querer, conseguiu imaginar outro monstro pegando fogo. Assim que teve certeza que esse havia morrido, colocou fogo em mais um. “Posso passar a noite inteira assim”.

-Idiota! Estou te ajudando!

Luís só percebeu que desviou sua atenção da barreira por um instante quando uma pata gigante bateu em seu corpo, lançado-o ao ar. Chocou-se contra uma árvore a metros de distância e caiu no chão.

Sentia sua roupa rasgada nas costas e o sangue escorrendo por seu corpo. A dor era insuportável. Tentou tirar seu braço esquerdo de baixo de si mas ele não respondia. Rolou para sair de cima do braço e sentiu sua costela, certamente quebrada, cortando sua carne por dentro com cada movimento. “É só um sonho”, pensou levantando-se devagar.

Estava escuro novamente e Luís podia ouvir os monstros correndo em sua direção.

Idiota! - a voz agora vinha de perto do jovem - Você pediu por isso!

Luís correu até ela, imaginando-se segurando a empunhadura de um sabre, e com um estalo metálico um facho de luz saiu do cabo e iluminou o lugar de vermelho. Ele viu a expressão de surpresa no rosto animalesco da mulher quando a partiu em dois.


Acordou. Mas não estava no seu quarto, estava de volta àquele nada dos seus sonhos lúcidos. O nada que não era nem frio nem quente, nem escuro nem claro.

“Estou sonhando ainda. Voltei a sonhar lucidamente”. Ele olhou ao redor, como se procurasse alguém que pudesse ajudá-lo. “Não… não…”.

Acordou de verdade, suado, com o despertador tocando. Levantou-se e se arrumou para o trabalho de forma automática, pensando em como seria sua vida a partir de agora. Matara a única coisa que pôde o ajudar. Voltara a sonhar lucidamente. Saiu de casa em direção ao ponto de ônibus.

Suas pernas estavam bambas. Teria que passar oito horas todos os dias sozinho, sem ter o que fazer, para o resto de sua vida. Não descansaria mais. Enlouqueceria.

Atravessou a rua tão perdido em seus pensamentos que nem viu o que lhe atingiu.


O nada não era nem preto, nem branco. Luís não sabia por que estava sonhando. Ele ouvia vozes que vinham do mundo lá fora. Pessoas que ele não conhecia gritando. Ouviu familiares. Alguns falavam pra ele que tudo ficaria bem. Reconheceu a voz de sua mãe.

Esperou horas fazendo o que costumava fazer quando sonhava lucidamente: meditando, imaginando algo, passando um filme em sua cabeça. Só quando, durante uma conversa da sua mãe com um médico, Luís ouviu a palavra “coma”, que ele entendeu quanto tempo passaria naquela tortura.
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